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Bolsonaro promete manter mineração fora da reserva Yanomami na Amazônia

O presidente Jair Bolsonaro prometeu a uma comunidade yanomami que respeitaria seus desejos de manter a mineração fora de sua reserva na Amazônia, embora tenha dito que ainda buscaria acesso a outras terras indígenas para agricultura comercial e mineração.

Em um vídeo postado na tarde deste domingo nas redes sociais, o presidente de direita foi visto ouvindo líderes indígenas locais em Maturacá, uma aldeia amazônica no extremo oeste da reserva Yanomami, que é a maior do Brasil e é mais extensa que Portugal.

Na reunião, que ocorreu na quinta-feira, os líderes pediram a Bolsonaro que protegesse suas terras contra a ameaça da mineração. Um guerreiro Yanomami presenteou-o com um monte de flechas longas que o presidente segurava enquanto falava com a comunidade.

“Seus desejos serão respeitados. Se você não quer mineração, não vai haver mineração”, disse Bolsonaro.

Mas ele acrescentou que outros indígenas na Amazônia e fora da Amazônia queriam minerar suas terras e cultivar, “e vamos respeitar esse direito deles”.

Ele prometeu ao grupo Yanomami que eles não seriam forçados por lei a aceitar a mineração em suas terras.

“Foi muito bom. Ele fez um discurso dizendo que nosso território não está ameaçado pela mineração”, disse José Mario Goes, chefe da Associação Yanomami do Rio Cauaburi e Afluentes, à Reuters por telefone.

Bolsonaro não discutiu a corrida do ouro que acontece no extremo leste da reserva Yanomami, no estado de Roraima, onde mais de 20 mil garimpeiros invadiram terras indígenas protegidas, trazendo malária e risco de infecções pelo COVID-19, além de incidentes de violência.

Bolsonaro visitou duas reservas indígenas na Amazônia na quinta-feira pela primeira vez desde que se tornou chefe de Estado.

Mas alguns líderes indígenas pediram-lhe para não visitar suas terras, reclamando que ele só se encontrou com chefes não representativos no que eles disseram ser uma oportunidade de foto para sua campanha de reeleição no próximo ano.

Bolsonaro também inaugurou uma ponte de madeira de 20 metros construída pelo exército brasileiro na reserva Balaio, onde vivem os indígenas Tukano e onde foram encontradas grandes reservas de nióbio.

O metal é usado para fazer aço leve para motores a jato e outras aplicações especiais. Bolsonaro tem mencionado regularmente seu valor em discursos sobre as riquezas inexploradas da Amazônia que ele argumenta que o Brasil deve explorar.

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