Economia

Banco central do Brasil tornará permanente medida de liquidez bancária

O Banco Central do Brasil tornará permanente uma de suas medidas de combate à crise pandêmica do ano passado, de oferecer liquidez aos bancos em troca de crédito do setor privado como garantia, em vez de dívida pública, como acontecia antes.

Em um evento online transmitido pelo Fundo Monetário Internacional na terça-feira como parte de suas reuniõliquides de primavera, e gravado na quinta-feira, o presidente do banco central, Roberto Campos Neto, disse que isso ajudará os bancos e o nascente mercado de títulos corporativos do Brasil.

“Isso muda toda a cadeia de emissão de dívida privada e a forma como vemos a dívida privada. Os bancos podem cobrar menos prêmio quando mantêm dívida privada no balanço porque agora eles sabem que podem obter liquidez com isso”, disse Campos Neto.

“Esta é uma mudança que vamos tornar permanente e estamos projetando um sistema para torná-la permanente”, disse ele.

Em resposta à pandemia COVID-19 há pouco mais de um ano, o banco central divulgou medidas que proporcionam ao sistema financeiro até 1,3 trilhão de reais (US $ 225 bilhões) de liquidez, equivalente a cerca de 18,5% do produto interno bruto.

Dados do Banco Central mostram que, dentro desse pacote geral, os empréstimos lastreados em debêntures do setor privado chegaram a 91 bilhões de reais.

Sobre política monetária e inflação, Campos Neto repetiu sua visão de que o aumento antecipado das taxas de juros significa que não será necessário aumentar tanto no final.

O Banco Central do Brasil deu início a uma “normalização parcial” da política monetária no mês passado, elevando sua taxa básica de juros Selic em 75 pontos base para 2,75% e, salvo uma grande mudança na perspectiva, prometendo fazê-lo novamente no mês que vem.

A inflação está muito acima da meta do banco para o fim do ano, de 3,75%, a taxa de câmbio está fraca e as perspectivas fiscais estão se deteriorando. Tudo isso aponta para um aperto contínuo, apesar da pandemia e do cenário de crescimento cada vez mais escuro.

Campos Neto também alertou que o aumento dos custos dos empréstimos em algumas economias avançadas resultará em “certo nível de angústia” para países emergentes como o Brasil.

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