Economia

Equipe Econômica em desordem, Guedes continua no comando

Uma série de renúncias de alto nível da equipe econômica do Brasil deixaram o ministro da Economia, Paulo Guedes, abalado, mas empenhado em continuar pressionando por reformas no governo, segundo duas pessoas próximas a ele.

As perdas também são o sinal mais visível de que a ambiciosa agenda econômica de Guedes está sofrendo um rebaixamento em tamanho e escopo, embora seu impulso de austeridade tenha recebido um apoio crucial do presidente Jair Bolsonaro e de líderes congressistas.

Em uma declaração conjunta à imprensa na noite de quarta-feira, Bolsonaro, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, prometeram manter os planos fiscais de Guedes e, em particular, uma lei de limite de gastos que congela os gastos públicos por duas décadas.

Foi uma rara demonstração de apoio ao ministro, quase 24 horas depois que a notícia de um êxodo de sua equipe levantou questões sobre o futuro de suas reformas.

Na noite de terça-feira (11), Guedes perdeu o secretário responsável por seus planos de privatização e outro encarregado de reformar o custoso setor público do Brasil.

Os dois desistiram dizendo que estavam insatisfeitos com o ritmo das reformas, algumas das quais pararam depois que a pandemia forçou o governo a transferir recursos para proteger trabalhadores e empresas vulneráveis. A saída vem depois de outras três derrotas sofridas pela equipe econômica nos últimos três meses.

Guedes, um economista formado na Universidade de Chicago que se tornou um queridinho do mercado ao prometer restaurar a disciplina nas finanças públicas do Brasil, não tem intenção de deixar o emprego, segundo pessoas próximas a ele.

Em vez disso, o ministro permanecerá focado na tarefa mais urgente em mãos – uma reforma do sistema tributário brasileiro que ele considera essencial para impulsionar a recuperação econômica pós-pandemia, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque não têm permissão para discutir o tópico em público.

As demissões do secretário de Privatizações Salim Mattar e de Paulo Uebel, secretário especial de desburocratização, poderiam, de fato, tornar as privatizações e a reforma do setor público mais realistas e fáceis de avançar, embora não tão ousadas como Guedes as imaginou , as pessoas adicionaram.

Ambos fizeram carreira em empresas privadas e lutaram para entender o momento político e a burocracia inerentes à administração pública.

“O governo tinha uma agenda e escolheu as pessoas para implementá-la”, disse Rafael Cortez, cientista político da consultoria Tendencias, “A mudança de nomes-chave representa uma quebra nas expectativas sobre a agenda, bem como o momento de sua implementação.”

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