Economia

Varejo restrito surpreende, vendas caem 0,1% em dezembro

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O volume de vendas no varejo teve desempenho modesto em dezembro, encerrando 2021 como esperado pelos economistas. O cenário à frente continuará adverso, com inflação ainda elevada, alta de juros, má recuperação do emprego e da renda e maior endividamento das famílias.

O volume de vendas no varejo restrito caiu 0,1% em dezembro, na comparação com novembro, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Com isso, o comércio cresceu 1,4% em 2021, em relação ao ano anterior, após alta de 1,2% em 2020. O mês de dezembro também registrou queda de 2,9% em relação ao mesmo mês de 2020.

No varejo ampliado, que inclui as vendas de veículos e motos, partes e peças e material de construção, o volume de vendas cresceu 0,3% entre novembro e dezembro, já descontados os efeitos sazonais. Com isso, o volume de 2021 para o varejo ampliado cresceu 4,5% em relação a 2020. Na comparação com dezembro de 2020, o volume caiu 2,7%.

A expansão das vendas no varejo em dezembro surpreendeu negativamente, mas a recuperação deve ocorrer em janeiro, diz Marina Garrido, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). “Pensamos que, por conta de indicadores antecedentes como a produção de veículos, que cresceu em dezembro, o varejo ampliado viria um pouco mais aquecido”, diz Dona Garrido.

Ela observa que os níveis de estoque na indústria automobilística são insuficientes – em torno de 27%, ante uma média de 3,4% de 2017 a 2019 – o que indica demanda reprimida por carros. “Por isso achávamos que essa demanda reprimida e esse aumento de produção se refletiriam no aumento do consumo de automóveis. Esperamos que esse pico chegue em janeiro”, diz ela.

O varejo restrito brasileiro registrou queda de 2,1% no quarto trimestre de 2021, em relação ao terceiro trimestre. Este foi o segundo período consecutivo de queda na série com ajuste sazonal, após queda de 1,6% no terceiro trimestre. No primeiro trimestre de 2021, o varejo restrito caiu 2,8% e, no segundo, registrou alta de 18%.

Depois de desacelerar no último trimestre, o comércio de mercadorias deve ter uma recuperação modesta no início do ano, diz Isabela Tavares, economista da Tendências Consultoria.

Na divulgação da pesquisa, o IBGE destacou que apenas duas das oito atividades de varejo restritas encerraram 2021 com níveis de vendas acima dos observados antes da pandemia.

O número mostra a extensão do impacto da crise sanitária nos diferentes segmentos do comércio. Na média geral, o varejo restrito está 2,3% abaixo do marco de fevereiro de 2020.

Inflação mais alta, estabilidade média da renda, promoções ao longo do ano e base de comparação alta são alguns dos fatores que contribuíram para o enfraquecimento das vendas no varejo em dezembro de 2021, em relação a dezembro de 2020, segundo o gerente do PMC Cristiano dos Santos.

Esse cenário adverso que se formou no segundo semestre de 2021 continuará segurando o varejo nos próximos meses, afirma Lucas Rocca, economista da LCA Consultores. “No agregado, vemos um nível muito deprimido em relação ao que observamos a partir de meados de 2020 e do primeiro semestre de 2021. Então, já houve uma queda nas vendas no segundo semestre do ano passado”, diz.

Ele cita fatores que contribuíram para essa desaceleração, como alta inflação, baixo emprego e renda nominal e real, e altas taxas de juros, que encarecem o crédito. “O endividamento das famílias cresceu ao longo de 2020 e 2021, quando as famílias foram obrigadas a reservar a maior parte do orçamento para pagar as dívidas”, acrescenta.

A LCA Consultores projeta crescimento de 1% no varejo ampliado e de 1,2% no varejo restrito. A Tendências Consultoria projeta alta de 1,1% para o varejo restrito e de 1% para o varejo ampliado.

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