Petróleo

Obras da Olimpíada deixaram nove operários mortos, aponta relatório

Para o superintendente regional Robson Leite, a pressa para finalizar obras pode estar por trás do número de mortes. Ele diz que isso gera uma carga de trabalho extenuante e provoca acidentes.

“É um número muito alto e que nos preocupa, até porque estamos entrando agora na reta final das obras da Olimpíada e a pressão para a entregar no prazo vai crescer, seja sobre a Prefeitura, seja sobre as empreiteiras”, disse.

Como comparação, Leite afirmou que as obras da Copa de 2014, em 12 cidades, causaram oito mortes.

O levantamento faz parte de relatório divulgado nesta segunda (25) pela superintendência, durante evento sobre o Dia Mundial para Segurança e Saúde no Trabalho, realizado no Centro do Rio.

A obra com mais mortes foi a da Linha 4 do metrô, que vai ligar Ipanema (zona sul) à Barra da Tijuca (zona oeste) e está atrasada e sob risco de não ser entregue a tempo. No pico, quase 10 mil operários trabalharam na linha de frente da obra no fim de 2015.

Pelo levantamento, um operário foi esmagado por um caminhão que foi estacionado sem freio. Outro morreu ao cair de uma escada e ser atropelado. Um terceiro morreu ao ser projetado pelo rompimento de um duto de ar.

Segundo o relatório, houve mais duas mortes nas obras do entorno do Parque Olímpico, na Barra —uma por soterramento e outra por choque elétrico. Trata-se de uma obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

No Museu do Amanhã, na zona portuária, o operário Stanley Lima, 35, morreu eletrocutado em janeiro de 2015.

Na ocasião, o Consórcio Porto Novo, responsável pela obra, disse ter “compromisso com as normas de saúde e segurança do trabalho”.

Também houve mortes em outros projetos relacionados à Olimpíada, como a duplicação do Elevado do Joá, BRT Transolímpica (que ligará o Recreio a Deodoro) e numa estação de trem da Supervia, na Vila Militar -neste caso, a empresa informou que prestou “assistência à família do funcionário e arcou com as despesas necessárias”.

FISCALIZAÇÃO

No período abrangido pelo relatório, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio fez 260 ações de fiscalização em obras ligadas aos Jogos, resultando em 1.670 autos de infração.

“Foram 38 interdições. Já interrompemos obras como a do velódromo. Uma morte nos choca e queremos que isso não aconteça”, disse Leite.

O levantamento incluiu ainda duas mortes acontecidas em obras que não estão diretamente ligadas aos Jogos, mas fazem parte da remodelação do Rio impulsionada por eventos esportivos.

Uma foi na construção do BRT Transbrasil, que ligará Deodoro ao centro da cidade. A outra foi no Museu da Imagem e do Som, em Copacabana, onde um operário morreu ao cair de andaime.

OUTRO LADO

Em comunicado enviado à Folha, a Prefeitura do Rio afirmou que “lamenta as mortes, presta sua solidariedade às famílias das vítimas e exige sempre das empresas responsáveis por obras municipais o cumprimento das normas de segurança”.

Ela acrescentou ainda que as obras com acidentes fatais citadas no relatório “dizem respeito a projetos de legado, ou seja, são inspiradas pelos Jogos, mas não possuem vínculo direto com o evento”.

Também procurada, a Concessionária Rio Barra, responsável pelas obras relacionadas ao metrô, informou que mantém “rigorosos procedimentos de segurança” e que tem, em todos os canteiros, técnicos de segurança.

O número divulgado inicialmente, com base no levantamento da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio, foi de 11 mortes. Ele incluiu duas mortes acontecidas em obras que não estão diretamente ligadas aos Jogos, mas fazem parte da remodelação do Rio impulsionada pelos grandes eventos esportivos.

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