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Na Petrobras, um militar ‘espartano’ toma as rédeas

Para muitos investidores, a nomeação do ex-general do Exército Joaquim Silva e Luna como novo chefe executivo da petrolífera estatal brasileira Petrobras foi inesperada – e indesejável.

O presidente Jair Bolsonaro anunciou que luna de 71 anos assumiria o comando da Petroleo Brasileiro SA, como a empresa é formalmente conhecida, em um post no Facebook em fevereiro.

Luna – definida para ser eleita em uma reunião de acionistas na segunda-feira para o conselho de administração da Petrobras, e depois como CEO – não tem experiência no setor petrolífero.

Sua última postagem, como chefe da hidrelétrica de Itaipu, na fronteira com o Paraguai, está longe de ser uma das maiores empresas do hemisfério sul.

As ações da Petrobras caíram acentuadamente quando o antecessor de Luna, Roberto Castello Branco, foi forçado a sair depois que o grupo subiu os preços dos combustíveis domésticos várias vezes em fevereiro, irritando Bolsonaro.

Desde então, eles se recuperaram de suas baixas, mas permanecem em baixa de cerca de 17% até agora este ano, com a demissão provocando temores generalizados de aumento da interferência do governo na empresa.

No entanto, Luna e aqueles ao seu redor insistem que o nervosismo do mercado é exagerado. Luna prometeu impedir que os políticos preencham cargos importantes da Petrobras com aliados pouco qualificados, um problema sério em administrações anteriores.

“Nomeações políticas não fazem parte dos meus planos de gestão”, disse Luna. “Já lidei com pedidos políticos, não aceitei e não foi fácil.”

Natural do nordeste de Pernambuco e soldado de carreira, Luna foi ministra da Defesa do Brasil em 2018. Ele é o primeiro militar a comandar a Petrobras desde a década de 1980.

Desde que Bolsonaro anunciou sua nomeação, Luna tem conversado informalmente com Castello Branco e outros especialistas do setor de petróleo e gás brasileiros, disse à Reuters nas últimas semanas.

Seus amigos dizem que ele tem um histórico de corte agressivo de custos, não muito diferente de seu antecessor, que ganhou auditorias de mercado por vender bilhões de dólares em ativos não essenciais em uma tentativa de reduzir a pesada carga de dívida da companhia petrolífera.

Luna é conhecida por seus modos “espartanos”, disse José Carlos Aleluia, membro do conselho de administração de Itaipu. Ele evita jantares de negócios elaborados, acorda cedo e é uma das primeiras pessoas a entrar no escritório, segundo Aleluia.

“Se ele tem uma vida social, ele não mistura com o trabalho”, disse Aleluia.

DESDÉM PELO EXCESSO

A atitude ascética de Luna também se reflete no desdém pelo excesso e redundância, disse Carlos Marun, deputado brasileiro que faz parte do conselho de Itaipu.

Entre suas iniciativas em Itaipu, Luna fechou os escritórios da barragem na cidade de Curitiba e reduziu radicalmente sua pegada na capital federal Brasília.

“Uma vez ele me disse: ‘Se eu comprar um par de calças, eu jogo outra fora. Se eu comprar sapatos, eu jogo um par fora'”, disse Marun.

Entre as decisões mais aguardadas estará como ele lida com os preços dos combustíveis domésticos, questão que levou à destituição de Castello Branco.

De 2011 a 2014, a Petrobras perdeu cerca de US$ 40 bilhões vendendo combustível abaixo da paridade internacional a mando do governo.

Em entrevistas, Luna disse que a nova política de preços da empresa não foi finalizada, mas será determinada pelo governo.

Ele disse que seria crucial para os funcionários – em vez da empresa – pegar a guia para os preços abaixo do mercado de combustíveis. Ainda assim, disse ele, a Petrobras tinha que pensar na sociedade como um todo, e não apenas nos acionistas, ao fixar preços.

“É preciso procurar um equilíbrio”, disse ele.

Luna e aqueles ao seu redor dizem que ele valoriza a experiência técnica e muitas vezes muda de ideia quando apresentado com evidências convincentes.

Dentro da empresa, um de seus primeiros desafios será superar o ceticismo generalizado sobre sua falta de experiência no setor, bem como a rápida rotatividade da alta administração.

Vários executivos e conselheiros se demitiram nas últimas semanas ou disseram publicamente que planejam seguir Castello Branco para fora da porta.

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