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Governadores do Brasil devem comprar vacinas diretamente

Os governadores dos estados brasileiros que lutam para garantir as vacinas COVID-19 dizem que vão contornar o governo do presidente Jair Bolsonaro e comprar vacinas diretamente por causa dos atrasos no programa federal de vacinação.

Metade dos 26 governadores do Brasil visitou a farmacêutica União Química em Brasília, que vai produzir a vacina russa Sputnik V COVID-19, na terça-feira.

O governo de São Paulo disse que vai comprar 20 milhões de doses.

O Sputnik V teria que ser autorizado para uso emergencial pelo órgão regulador de saúde do Brasil, Anvisa, antes que as doses pudessem ser usadas.

O governador do Piauí, Wellington Dias, disse esperar que a Anvisa possa autorizar o uso emergencial até a próxima semana, mas o principal executivo da União Química disse em uma entrevista que a empresa ainda está arquivando a papelada.

A mudança ocorre no momento em que o Brasil registrou na terça-feira um recorde em um dia de 1641 mortes de COVID-19.

Isso ultrapassou a alta anterior de 1.595 em julho de 2020, enquanto o Brasil enfrenta um novo pico de casos de coronavírus e o sistema hospitalar está à beira do colapso.

Mais de 257.000 pessoas morreram de COVID-19 no Brasil no total.

As enfermarias dos hospitais sobrecarregadas também estão frustradas com a falha do governo Bolsonaro em garantir o fornecimento de vacinas em tempo hábil.

Pouco mais de 3 por cento dos 210 milhões de habitantes do país foram vacinados.

A Uniao Quimica, empresa privada que produz medicamentos para humanos e animais, planeja começar a produzir a vacina russa em abril, em uma transferência de tecnologia do Instituto Gamaleya de Moscou que inclui a produção local dos princípios ativos da vacina.

O presidente-executivo da empresa, Fernando Marques, disse que espera fazer 90 milhões de doses de Sputnik V este ano, mas quantas estarão disponíveis para estados brasileiros ou exportadas para países vizinhos dependerá do volume demandado pelo cliente prioritário de sua empresa, o governo federal.

“Começaremos a produzir em abril e só então poderemos ver o excedente que podemos fornecer”, disse.

Até o momento, o Brasil tem contado com suprimentos limitados da vacina chinesa Coronavac, da Sinovac, e da vacina AstraZeneca Plc desenvolvida com a Universidade de Oxford.

João Doria, governador de São Paulo – o estado mais populoso do país – disse esta semana que seu governo contornaria o Ministério da Saúde federal se este deixasse de fornecer as vacinas necessárias.

Na terça-feira, ele disse a repórteres que seu estado irá em frente e comprará 20 milhões de doses da vacina russa.

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