Economia

Futuro das vendas da refinaria da Petrobras em dúvida

O futuro das vendas das refinarias da estatal Petrobras está em dúvida depois que o governo brasileiro decidiu substituir o presidente-executivo Roberto Castello Branco, disseram na sexta-feira três pessoas próximas aos licitantes.

O potencial para uma demissão em massa da administração da empresa levanta questões sobre se o ímpeto em direção às vendas de ativos fortemente impulsionadas por Castello Branco será mantido sob sua substituição, duas das pessoas disseram. As três fontes falaram sob condição de anonimato.

Uma possível nova gestão com um perfil mais nacionalista, liderada pelo ex-ministro da Defesa Joaquim Silva e Luna, poderá suspender o processo de desinvestimento, afirmaram as fontes. Nenhuma decisão foi tomada pela Petrobras ou pelos licitantes, pois é muito cedo para avaliar o cenário, acrescentaram.

Os licitantes que estavam preparando ofertas firmes devem fazer uma pausa antes de decidir se continuarão, disseram.

Negociações mais avançadas, incluindo para as refinarias RLAM e REFAP, podem eventualmente avançar se os licitantes tiverem segurança jurídica e apoio político para as privatizações, disseram duas pessoas.

A Petrobras disse no início deste mês que tinha concordado em vender a RLAM para a Mubadala Capital de Abu Dhabi por US $ 1,65 bilhão. O grupo brasileiro Ultrapar Participações SA está conduzindo negociações para a compra da REFAP, com sede no Rio Grande do Sul.

As incertezas também podem impactar a valorização das usinas, com o aumento do risco político incluído nos custos, disse uma das fontes.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro mudou-se para substituir Castello Branco após semanas de tensão com o aumento do preço do combustível.

“É certamente um bom argumento para um preço mais baixo”, disse uma quarta fonte próxima a um licitante da refinaria REGAP da Petrobras no estado de Minas Gerais. “Espero que Bolsonaro tenha um plano para restaurar a credibilidade.”

A relutância do populista presidente brasileiro em tolerar aumentos de preços de acordo com as oscilações do mercado também pode diminuir o entusiasmo dos potenciais licitantes, disse Edmar Almeida, professor especializado em energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Ficou muito claro para o mercado que o governo brasileiro e mesmo a sociedade não estão preparados para permitir que uma empresa tenha liberdade para fixar preços nos momentos mais críticos”, disse Almeida.

“Essa incerteza certamente dificultará a comercialização das refinarias”, acrescentou Almeida. “Quem compra vai querer liberdade para fixar preços, caso contrário o negócio não será sustentável.”

A Petrobras tem aumentado os preços dos combustíveis desde um relatório da Reuters de 5 de fevereiro, que revelou detalhes da política de preços da empresa, o que levou analistas a rebaixar as ações da empresa por preocupações de uma possível interferência política.

Os investidores estão preocupados com uma possível interferência política desde que o produtor de petróleo confirmou que a Petrobras permitiria que os preços domésticos fossem diferentes dos preços internacionais por períodos mais longos do que os divulgados anteriormente.

A Reuters relatou em 5 de fevereiro que a Petrobras estava calculando a paridade de preços internacional dos combustíveis que vende ao longo de um ano. Foi a primeira vez que o prazo usado internamente pela Petrobras para fechar a contabilidade das oscilações de preços foi divulgado desde 2019, quando o cálculo era feito mensalmente.

Voltar ao Topo