Concessões do consignado do INSS caem 43% em dois meses; margem de 40% amplia restrições

Volume recuou de R$ 6,5 bilhões em março para R$ 3,7 bilhões em maio; biometria e novo limite dificultam operações, mas não há paralisação total.

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Concessões do consignado do INSS caem 43% em dois meses; margem de 40% amplia restrições

Resumo da notícia

  • As concessões do consignado do INSS caíram de R$ 6,5 bilhões em março para R$ 3,7 bilhões em maio de 2026.
  • Aposentados e pensionistas com margem já comprometida ou sem biometria validada podem encontrar dificuldades para contratar ou portar empréstimos.
  • As novas regras reforçam a proteção contra fraudes, mas aumentam as etapas necessárias para liberar o crédito.

As concessões de empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do INSS recuaram cerca de 43% entre março e maio de 2026. O movimento ocorre em meio à adoção de novas exigências de segurança e à redução da margem consignável global de 45% para 40%.

A queda, entretanto, não significa que todas as operações estejam paralisadas. O acesso depende da margem disponível, da validação biométrica, da situação do benefício e da aprovação da instituição financeira.

Também não é possível atribuir integralmente o recuo às novas regras. Os dados mostram a redução do volume concedido, mas não separam o efeito da burocracia, da demanda por crédito, das políticas dos bancos e da eliminação de operações fraudulentas.

Consignado do INSS caiu de R$ 6,5 bilhões para R$ 3,7 bilhões

Levantamento baseado nas estatísticas do Banco Central indica que as concessões do consignado do INSS somaram R$ 6,5 bilhões em março. O volume caiu para aproximadamente R$ 5 bilhões em abril e chegou a R$ 3,7 bilhões em maio.

Na comparação entre março e maio, a retração foi de aproximadamente 43%. Somente de abril para maio, a queda ficou próxima de 25%.

A comparação exige cautela porque as novas regras de contratação começaram a valer em 19 de maio. Portanto, o dado daquele mês inclui operações realizadas antes e depois da mudança.

A Federação Brasileira de Bancos reconheceu a redução nas concessões. Em declarações publicadas pelo VIVA, Rafael Baldi, diretor adjunto de Produtos da Febraban, afirmou que os volumes caíram sensivelmente.

Como funciona a nova margem consignável de 40%

A Medida Provisória nº 1.355, publicada em 4 de maio de 2026, reduziu de 45% para 40% o limite global de descontos no benefício de aposentados e pensionistas do Regime Geral de Previdência Social.

Dentro desse teto estão as parcelas de empréstimos, financiamentos e as margens destinadas ao cartão de crédito consignado e ao cartão consignado de benefício.

Ponto da regra Como era Como ficou em 2026 Impacto possível
Margem global Até 45% Até 40% Menor espaço para novas operações
Cartão de crédito consignado Até 5% Até 5%, dentro do teto global Pode reduzir a margem restante para empréstimos
Cartão consignado de benefício Até 5% Até 5%, dentro do teto global Dois cartões ativos podem consumir 10% do teto
Contratos anteriores Mantidos Continuam válidos até a quitação Não são cancelados automaticamente
BPC Regra específica Limite global de 35% Não deve ser confundido com a margem de aposentadorias e pensões

O texto da MP 1.355/2026 preserva as condições dos contratos assinados antes de cada redução de margem até a liquidação integral do saldo devedor.

Isso significa que parcelas antigas não devem ser canceladas apenas porque a soma dos descontos ultrapassou o novo teto. Entretanto, o beneficiário pode ficar sem margem para contratar outro empréstimo.

A portabilidade também pode encontrar obstáculos operacionais quando a margem está excedida. Esse possível bloqueio é apontado por representantes do setor, mas a situação precisa ser verificada individualmente com a instituição financeira e no Meu INSS.

Estimativa de 4,5 milhões não é um dado oficial do INSS

A iCred estima que aproximadamente 4,5 milhões de aposentados e pensionistas tenham sido afetados pela redução da margem. O cálculo considera beneficiários que já utilizavam 35% com empréstimos e mantinham as duas modalidades de cartão consignado.

Nesse caso, o comprometimento poderia alcançar 45%, acima do novo limite de 40%.

O número de 4,5 milhões deve ser apresentado como estimativa da empresa. Até o momento, não se trata de uma contagem oficial divulgada pelo INSS ou pelo Banco Central.

Biometria facial acrescenta uma etapa à contratação

As regras de segurança também passaram a exigir que o beneficiário confirme a operação no Meu INSS.

Após contratar o empréstimo com uma instituição financeira, o cidadão tem até cinco dias para analisar e confirmar os dados. A liberação depende do reconhecimento facial e da existência de biometria em uma base aceita pelo sistema.

O guia oficial do INSS informa que a confirmação pode falhar quando a biometria não está disponível na base de dados, quando não há comprovação de vivacidade ou quando ocorre erro no reconhecimento facial.

A medida reduz o risco de empréstimos contratados sem autorização, mas pode criar dificuldades para idosos que não têm familiaridade com aplicativos, não possuem cadastro biométrico ou enfrentam problemas de acesso ao Meu INSS.

O cadastro eleitoral está fechado desde 7 de maio e deverá ser reaberto em 3 de novembro, conforme o Tribunal Superior Eleitoral. Durante esse período, alguns serviços cadastrais permanecem suspensos, o que pode limitar uma das alternativas para quem ainda não possui biometria.

A emissão da Carteira de Identidade Nacional é outro caminho possível. O prazo para o envio dos dados ao ambiente gov.br, porém, depende do órgão de identificação de cada estado.

Febraban propõe simplificação do desbloqueio

A Febraban defende a criação de um fluxo unificado, reunindo a confirmação do contrato e a liberação do benefício em uma única jornada digital.

A entidade também propõe ampliar as opções de autenticação, permitindo o uso de mecanismos já utilizados pelo aposentado em seu banco, como senha ou biometria da instituição pagadora.

As propostas estão em discussão, mas ainda dependem de decisão e implementação formal pelo governo. Até que isso aconteça, continuam valendo os procedimentos disponíveis no Meu INSS.

A própria MP 1.355 ainda está em tramitação. Em 16 de julho, a matéria aguardava a instalação da comissão no Congresso Nacional e estava em regime de urgência. O texto pode ser aprovado, alterado ou perder a validade durante o processo legislativo, conforme o acompanhamento do Congresso.

O que muda para bancos e investidores

A redução das concessões pode afetar o ritmo de originação de crédito dos bancos que atuam de forma relevante no consignado do INSS. Isso não significa, isoladamente, queda proporcional no lucro dessas instituições.

O impacto dependerá da participação do consignado nos resultados de cada banco, das taxas praticadas, do custo de aquisição dos contratos, da qualidade da carteira e da eventual migração dos clientes para outros produtos.

Para investidores em ações de bancos, os próximos balanços deverão ser acompanhados em busca de informações sobre concessões, portabilidade, receitas de crédito, inadimplência e mudanças no mix de produtos.

Beneficiário deve conferir margem e custo total

Antes de contratar, o aposentado ou pensionista deve consultar o extrato de empréstimos no Meu INSS e verificar se existe margem disponível.

Também é importante comparar a taxa de juros e o Custo Efetivo Total, que reúne juros, tarifas, seguros e outras despesas da operação. A parcela menor não significa necessariamente que o contrato seja mais barato, principalmente quando o prazo é longo.

Caso a biometria não seja reconhecida ou a margem apareça incorretamente, o beneficiário deve buscar orientação nos canais oficiais do INSS e da instituição financeira. Não é recomendável fornecer senha, código de acesso ou dados pessoais a terceiros.

O QUE OBSERVAR AGORA

Principal ponto de atenção: a evolução das concessões após um mês completo de vigência da margem de 40% e da confirmação biométrica.

Risco ou limitação: beneficiários com margem comprometida ou sem biometria validada podem enfrentar restrições, mas isso não significa paralisação de todo o consignado.

Próximo dado importante: as próximas estatísticas mensais de crédito do Banco Central, novos comunicados do INSS e a tramitação da MP 1.355 no Congresso.

Aviso: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e jornalístico. Não representa recomendação de compra, venda ou manutenção de ações, FIIs, títulos públicos, títulos privados, criptomoedas ou qualquer outro ativo financeiro. Antes de investir, avalie seu perfil, seus objetivos, os riscos envolvidos e consulte profissionais autorizados, se necessário.

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André Carvalho é administrador e diretor editorial do portal O Petróleo, responsável pela definição da linha editorial, supervisão de conteúdo e garantia dos padrões jornalísticos e técnicos do site. Atua na gestão de projetos digitais, jornalismo online e desenvolvimento de portais especializados, com foco em credibilidade da informação, SEO e experiência do leitor.