Economia

Brasil em recessão enquanto seca e inflação martelam economia

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A economia do Brasil contraiu-se ligeiramente nos três meses até setembro, segundo dados do governo na quinta-feira, à medida que o aumento da inflação e uma forte seca desencadearam uma recessão na maior economia da América Latina.

A queda de 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre, divulgada pelo IBGE, agência oficial de estatísticas, ficou abaixo da mediana das projeções de crescimento zero em pesquisa da Reuters.

A recuperação econômica do Brasil após o pior da pandemia de COVID-19 estourou conforme a inflação disparou para dois dígitos, forçando o banco central a aumentar agressivamente os custos dos empréstimos.

Os ventos contrários econômicos pesaram sobre a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, enquanto ele se prepara para buscar a reeleição em 2022.

Os dados revisados ​​mostraram uma queda de 0,4% no segundo trimestre, pior do que a queda de 0,1% relatada anteriormente. Dois trimestres consecutivos de contração atendem à definição de recessão.

O tempo excepcionalmente seco este ano também prejudicou as principais safras brasileiras, como milho e café. O desaparecimento das reservas em barragens hidrelétricas elevou os custos de eletricidade, aumentando os choques de preços.

A produção agrícola caiu 8,0% no terceiro trimestre, enquanto a produção industrial ficou estável e os serviços avançaram 1,1%.

“Com o aperto das condições financeiras e a inflação em máximas plurianuais, o setor de serviços deve enfraquecer”, disse William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, a clientes em uma nota.

Os fracos dados econômicos podem levar o banco central a manter o ritmo de aumento das taxas de juros na reunião de política da próxima semana, evitando um aumento maior que alguns haviam previsto, disse Jackson.

Alguns economistas estão alertando sobre uma desaceleração mais profunda no próximo ano.

A previsão do mercado para o crescimento econômico em 2022 caiu de 2,3% em junho para menos de 0,6% na última pesquisa do banco central com economistas, divulgada na segunda-feira.

O Ministério da Economia do Brasil rejeitou esse consenso em um comunicado na quinta-feira, reafirmando sua previsão de crescimento econômico acima de 2% no próximo ano e apontando os dados recentes de criação de empregos como evidência de uma recuperação resiliente.

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 12,6% no terceiro trimestre de 14,2% no trimestre anterior, dados mostraram esta semana, atingindo o ponto mais baixo desde o início da pandemia.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2020, a economia brasileira cresceu 4,0%, mostram os dados do IBGE, abaixo de uma projeção mediana de crescimento de 4,2%.

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