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As dificuldades de trabalhar embarcado

As dificuldades de trabalhar embarcado.

Atuar em plataformas marítimas não é um serviço para qualquer um.

A rotina em um trabalho convencional geralmente é algo cansativo, não tão agradável e que, por muitas vezes, enjoa o cidadão. Aquele serviço de segunda à sexta, pegando trânsito (ou transporte público lotado) às oito horas da manhã e às sete horas da tarde, não agrada totalmente. Mas sua recompensa é boa, pois do esforço vem o seu salário, que lhe alimenta, te dá (ou te ajuda a alugar) um residência, paga suas contas e te dá bons momentos de prazer.

Indiscutível que muitos trocariam essa velha rotina por algo diferente, mais instigador e que fuja da monotonia do dia-a-dia. Mas nem todos estão disponíveis a pagar o preço por isso. Em uma dessas áreas de atuação está o trabalho embarcado. Ele dá uma nova vida, viagens, aventura, um bom salário, reconhecimento na área e mais tempo de  descanso. Mas, aproveitando a ocasião de estar flutuando num oceano, nem tudo é uma mar de rosas.

Começando pela disponibilidade de trabalhar: sabem aquele maior tempo de descanso? Ele vem acompanhado por horas extras de serviço. Geralmente as empresas brasileiras oferecem turnos de 14 x 14 (que significa quatorze dias de trabalho e a mesma quantidade descansando). Mas isso não impede de ficar mais tempo a bordo, pois não é raro que as necessidades exigem que o trabalhador permaneça mais tempo embarcado – até mesmo quase um mês.

Problemas como saudade de amigos, família, encontros, namorada e afins nem precisam ser citados com tantos detalhes. Basta pensar que se para alguns cinco dias de trabalho já o fazem sentir saudades dos entes queridos, meio mês, ou mais que isso, faz coisa pior.

Aliás, sem contar o perigo: explosões, incêndios, maremotos, proximidade a produtos químicos e industriais. Tudo isso entra na lista de dificuldades e enfrentadas enquanto trabalha embarcado. Claro que as empresas providenciam segurança máxima  para qualquer situação, mas acidentes acontecem.

O acompanhamento psicológico é algo indicado para os mais sensíveis a situações como essa, pois a solidão, apesar de estar embarcado com centenas de profissionais, pode abalar o emocional do trabalhador.

Marcos Valério Silva, em um artigo online, diz que um momento complicado é a transição do transporte para a plataforma (ou o contrário), visto que as vezes se faz necessário o traslado de “cestinha”, que é um dispositivo feito de cordas com uma base inflável, presa ao guindaste que suspende até quatro pessoas por vez e os deposita no destino. Isso, sem dúvida, durante uma tempestade não deve ser fácil de encarar.

O trabalho embarco requer que o funcionário tenha um bom preparo físico, mental e boa saúde. Para isso, os exames admissionais são rígidos e coisas simples, como um dente com cai, pode ser motivo para reprovar o candidato.

Para Stephane Champagne, diretor de bases remotas da Sodexo/Puras, empresa de refeições coletivas que tem mais de mil funcionários voltados para o setor petrolífero , a rotatividade na área é muito alta, pois depois de um ou dois embarques, o profissional pode desistir. “O profissional só mostra que está preparado para trabalho em plataforma depois de cinco ou seis embarques”, ressalta Champagne em entrevista ao jornal Estadão.

As dificuldades de atuar offshore, embarcado numa plataforma em alto mar, são mais do que claras. Cabe apenas ao profissional decidir se o caminho certo a trilhar é esse.

 

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