A Petrobras voltou a ser alvo de críticas com a possibilidade de retomar a prática de diferenciação de preços do gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha. O alerta veio de Bandeira de Mello, especialista do setor e integrante da Agência Eixos, que classificou a medida como um “erro histórico” com potenciais consequências desastrosas para o mercado.

Especialista vê risco de retorno a práticas nocivas

Segundo Mello, o Brasil viveu por mais de duas décadas os efeitos negativos dessa diferenciação de preços na molécula de gás. “Isso nos levou a centenas de problemas, desde fraudes até desequilíbrios competitivos. Indústrias e comércios passaram a recorrer a redes informais de botijões de 13 kg para fugir de preços abusivos”, afirmou.

A crítica é direcionada à lógica de subsidiar o preço do botijão doméstico penalizando outros segmentos como hotéis, padarias e pequenas indústrias que operam em regiões sem acesso a gás canalizado (off-grid). “Não faz sentido punir agricultores, metalúrgicas e pequenos negócios que dependem diretamente do GLP”, completou.

Diferença de até 85% no passado

Mello também relembrou que, no ápice da política de diferenciação, a discrepância de preços entre segmentos chegava a 85%. “Chegamos ao ponto de ter o GLP custando quase o dobro para alguns clientes. Isso tirou competitividade de setores inteiros sem que o consumidor doméstico percebesse o custo real do subsídio”, explicou.

Apesar de, atualmente, a Petrobras praticar um preço superior ao da importação — o que desestimula o mercado alternativo —, Mello alerta que essa conjuntura é temporária. “Hoje a fotografia é essa, mas a história mostra que qualquer artificialização exagerada gera distorções duradouras.”

Consequência: falta de infraestrutura e janela de oportunidade perdida

Outro ponto sensível, segundo o especialista, é que o histórico de intervenção nos preços desincentivou investimentos em infraestrutura de importação. “Ninguém investiu porque o cenário era distorcido. E, quando surgem janelas de oportunidade, elas são perdidas porque não há estrutura”, explicou.

Programa Gás do Povo e impacto no mercado

Sobre o programa social Gás do Povo, Mello acredita que ele não será afetado negativamente caso a Petrobras mantenha uma política de preços uniforme e de mercado. Para ele, o maior risco está justamente na tentativa de manipular artificialmente os valores, prejudicando a previsibilidade e a eficiência do setor.

“É fundamental que a Petrobras mantenha uma política clara, sem diferenciações. O preço da molécula deve ser o mesmo para todos os usos. A prática do passado não pode voltar”, concluiu.

Deixe o Seu Comentário

Quer saber tudo
o que está acontecendo?

Receba todas as notícias do O Petróleo no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.

ENTRAR NO GRUPO

Compartilhar.

Jornalista com experiência em cobertura de mercado, economia e finanças corporativas. Atua na edição e revisão de conteúdos sobre negócios, investimentos e tendências econômicas, garantindo clareza, imparcialidade e credibilidade jornalística.