RESUMO DA NOTÍCIA
- O que aconteceu: as cotas do VGIA11 voltaram a cair cerca de 10% nesta quarta-feira (22), pressionadas pela inadimplência da Cooperativa Languiru e por dúvidas sobre as garantias dos CRAs.
- Quem pode ser afetado: aproximadamente 174 mil cotistas do Fiagro, além dos investidores expostos indiretamente aos títulos de crédito da cooperativa.
- Por que isso importa: os papéis da Languiru representam 12,34% do patrimônio do fundo, mas ainda não há confirmação sobre o tamanho de eventual perda nem sobre uma redução dos próximos rendimentos.
As cotas do VGIA11 voltaram a registrar forte queda nesta quarta-feira (22), ampliando a reação negativa do mercado à inadimplência da Cooperativa Languiru. Por volta das 12h45, o Fiagro recuava cerca de 10%, negociado próximo de R$ 7,10, segundo dados intradiários do Google Finance.
A desvalorização ocorre depois de o fundo ter caído mais de 10% na terça-feira (21), quando chegou a entrar em leilão, e aproximadamente 5% na sessão anterior. O movimento reflete a rápida revisão da percepção de risco sobre os Certificados de Recebíveis do Agronegócio, os CRAs, emitidos com dívida da Languiru.
A inadimplência está confirmada. O que permanece incerto é quanto o fundo poderá recuperar, em quanto tempo e se haverá impacto relevante sobre os próximos rendimentos.
Languiru representa 12,34% do patrimônio do VGIA11
O relatório gerencial de junho do VGIA11 informa que a Languiru deixou de pagar uma parcela de juros com vencimento em 7 de julho. O atraso havia sido comunicado ao mercado pela Opea, securitizadora responsável pelas operações.
No encerramento de junho, o VGIA11 carregava três CRAs ligados à cooperativa:
- CRA Languiru: R$ 63,84 milhões;
- CRA Languiru II: R$ 34,38 milhões;
- CRA Languiru III: R$ 28,60 milhões.
Somadas, as operações alcançavam aproximadamente R$ 126,8 milhões, equivalentes a 12,34% do patrimônio líquido de R$ 1,03 bilhão informado pelo fundo.
| Item | Dado relevante | Por que importa | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Exposição à Languiru | R$ 126,8 milhões | Representa parcela relevante da carteira | Não corresponde automaticamente a uma perda integral |
| Participação no patrimônio | 12,34% | Mostra a concentração no mesmo devedor | A recuperação dependerá das garantias e do processo judicial |
| Último rendimento | R$ 0,13 por cota | Foi pago em 17 de julho | O próximo valor ainda não foi confirmado |
| Cotistas | 174,2 mil em junho | Amplia a repercussão da volatilidade | Investidores podem reagir de maneira mais intensa às notícias |
| Cota patrimonial | R$ 9,50 em junho | Serve como referência contábil | Pode mudar caso sejam reconhecidas perdas nos CRAs |
Por que a inadimplência preocupa o mercado
Um CRA representa uma dívida ligada ao agronegócio. Na prática, o investidor fornece recursos e espera receber juros e amortizações nas condições estabelecidas na operação.
Quando o devedor deixa de pagar, o fundo perde parte do fluxo financeiro esperado e pode iniciar procedimentos para cobrar a dívida ou executar as garantias. O resultado final depende do valor recuperado, do prazo necessário e dos custos jurídicos envolvidos.
Por isso, a exposição de 12,34% não significa que o VGIA11 já perdeu esse percentual do patrimônio. Também não é correto afirmar que os rendimentos cairão automaticamente na mesma proporção.
O mercado, entretanto, costuma antecipar riscos. A cotação passa a incorporar diferentes cenários, inclusive demora na recuperação, deságio em uma renegociação ou dificuldade para executar determinadas garantias.
Garantias dos CRAs estão no centro da disputa
A Valora afirma que as operações possuem garantias originalmente constituídas, incluindo alienação fiduciária de máquinas e equipamentos, penhor de grãos e avais.
Segundo a gestora, a reestruturação da dívida também acrescentou hipotecas de imóveis e uma cessão fiduciária de recebíveis de empresas consideradas de primeira linha. A Valora sustenta que esse conjunto seria suficiente para cobrir a exposição do fundo.
A Languiru, por outro lado, contesta especificamente a constituição de uma cessão fiduciária relacionada ao fluxo de um contrato de prestação de serviços com a JBS. A cooperativa afirma que essa garantia não teria sido formalizada, enquanto a gestora defende que ela foi constituída conforme a orientação de seus assessores jurídicos.
A existência de posições divergentes impede uma conclusão imediata. A validade, a prioridade e a possibilidade de execução das garantias poderão depender de decisões judiciais.
Reportagem do The AgriBiz também informou que a Languiru obteve uma decisão de primeira instância suspendendo execuções e sugeriu que os detentores dos CRAs aderissem ao plano da liquidação extrajudicial. Esse plano envolveria deságio de 50%, condição que não foi aceita pela Valora.
Os rendimentos do VGIA11 vão diminuir?
Até o momento, não há confirmação de redução no próximo pagamento do VGIA11.
O último rendimento foi de R$ 0,13 por cota, referente ao resultado de junho, com pagamento realizado em 17 de julho. Esse valor foi definido antes de os efeitos da nova inadimplência aparecerem integralmente nas contas do fundo.
A ausência do pagamento da Languiru pode pressionar a geração de caixa, mas o impacto sobre a distribuição dependerá de outros fatores, como:
- resultado dos demais ativos da carteira;
- recursos mantidos em caixa;
- eventual formação ou utilização de reservas;
- tratamento contábil dado aos CRAs;
- negociações com a cooperativa;
- recuperação de valores por meio das garantias.
Em junho, o VGIA11 possuía 42 ativos e R$ 875,6 milhões investidos. O relatório também apontava caixa líquido equivalente a 14,8% do patrimônio. Essa liquidez pode ajudar na administração financeira do fundo, mas não elimina o risco de crédito da Languiru.
Desconto da cota não significa oportunidade automática
Considerando a negociação próxima de R$ 7,10 e a cota patrimonial de R$ 9,50 informada no encerramento de junho, o VGIA11 chegou a apresentar desconto ao redor de 25%.
Esse deságio, isoladamente, não permite concluir que a cota esteja barata. O valor patrimonial é uma fotografia contábil anterior aos possíveis efeitos da inadimplência e pode ser revisto caso o fundo reconheça deterioração dos CRAs.
O desconto representa, neste momento, a incerteza do mercado sobre o valor recuperável das operações, o prazo da disputa judicial e a capacidade do fundo de sustentar seus resultados.
O que os cotistas devem acompanhar
As próximas manifestações da Valora e da Opea serão importantes para esclarecer se houve avanço nas negociações, quais garantias poderão ser executadas e como os CRAs serão contabilizados.
Também será necessário observar o próximo relatório gerencial, a declaração de rendimentos e eventuais decisões judiciais relacionadas ao concurso de credores da Languiru.
A volatilidade pode continuar enquanto o mercado não tiver informações suficientes para estimar o tamanho da recuperação. Até lá, qualquer previsão sobre perda definitiva ou redução exata dos rendimentos permanece incerta.
O QUE OBSERVAR AGORA
Principal ponto de atenção: a confirmação jurídica sobre a validade e a possibilidade de execução das garantias dos CRAs da Languiru.
Risco ou limitação: a recuperação pode levar tempo, envolver custos e resultar em deságio. A exposição de 12,34% não significa perda integral, mas também não garante recuperação completa.
Próximo dado importante: novos fatos relevantes da Opea e da Valora, o próximo relatório gerencial do VGIA11 e a divulgação do próximo rendimento por cota.
Aviso: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e jornalístico. Não representa recomendação de compra, venda ou manutenção de ações, FIIs, títulos públicos, títulos privados, criptomoedas ou qualquer outro ativo financeiro. Antes de investir, avalie seu perfil, seus objetivos, os riscos envolvidos e consulte profissionais autorizados, se necessário.