terça-feira, 17 fevereiro / 2026

A decisão da Rússia de recusar a venda do motor NK-32 à China gerou repercussão imediata nos círculos militares e diplomáticos. O pedido chinês, segundo publicações internacionais, envolvia a aquisição do motor estratégico utilizado no bombardeiro supersônico Tupolev Tu-160, conhecido como “Cisne Branco”.

A negativa não foi apenas comercial — foi estratégica.

O NK-32 não é um componente comum. Ele é considerado um dos motores mais potentes já instalados em aeronaves militares, sendo parte essencial da capacidade de ataque de longo alcance da aviação estratégica russa.

O que torna o NK-32 tão sensível?

Desenvolvido no fim da Guerra Fria, o NK-32 equipa o Tu-160, o maior bombardeiro supersônico em operação no mundo. O modelo modernizado utiliza a versão aprimorada NK-32-02.

Especificações técnicas do NK-32

CaracterísticaDados aproximados
TipoTurbofan com pós-combustão
Empuxo máximo~25 toneladas (25.000 kgf)
Comprimento7,5 metros
Diâmetro1,5 metro
Peso seco+3,4 toneladas
Velocidade suportadaPermite voo acima de Mach 2

A potência do motor permite que o Tu-160:

  • Transporte dezenas de toneladas de armamentos

  • Ultrapasse 12.000 km de alcance sem reabastecimento

  • Atinga velocidades superiores a 2.400 km/h

  • Integre o componente aéreo da tríade nuclear russa

Em termos estratégicos, isso significa capacidade de dissuasão intercontinental.

Por que a Rússia disse “não”?

A decisão russa parece estar ancorada em três pilares principais:

Proteção tecnológica

Motores aeronáuticos estratégicos são considerados uma das tecnologias mais complexas da engenharia aeroespacial. O domínio de ligas metálicas especiais, controle térmico extremo e eficiência em altas velocidades leva décadas para ser consolidado.

Histórico de absorção tecnológica chinesa

Pequim possui histórico de adquirir tecnologia estrangeira e desenvolver versões domésticas adaptadas. Para Moscou, mesmo uma única unidade exportada poderia acelerar cronogramas de engenharia reversa.

Sensibilidade nuclear

O Tu-160 é parte da tríade nuclear da Rússia. Exportar seu principal sistema de propulsão poderia reduzir a vantagem estratégica acumulada ao longo de décadas.

Impacto na relação Rússia–China

Apesar da cooperação militar entre Moscou e Pequim, o episódio evidencia limites claros.

A China já adquiriu sistemas como caças avançados e sistemas de defesa aérea russos, mas sempre sob rígidas cláusulas de propriedade intelectual. O NK-32, no entanto, parece estar em uma categoria ainda mais protegida.

A recusa sinaliza que, quando se trata de ativos estratégicos centrais, nem mesmo parceiros próximos têm acesso irrestrito.

O que a China pode fazer agora?

Especialistas apontam que a decisão deve acelerar os programas domésticos chineses de motores aeronáuticos de alta performance.

Motores são considerados o “calcanhar de Aquiles” histórico da indústria aeroespacial chinesa, embora o país tenha avançado significativamente nos últimos anos.

Se Pequim investir pesado em desenvolvimento próprio, pode transformar a recusa russa em catalisador de inovação nacional.

Dimensões do Tu-160: um gigante dos céus

Para compreender o peso da decisão, basta observar o porte do bombardeiro:

CaracterísticaDados aproximados
EnvergaduraAté 55,7 metros
Peso máximo de decolagem275 toneladas
VelocidadeSuperior a Mach 2
Capacidade de cargaDezenas de toneladas

O Tu-160 é maior que muitas aeronaves comerciais e representa o ápice da engenharia estratégica russa.

Mais do que um motor: um símbolo de poder

O NK-32 não é apenas um equipamento. Ele simboliza:

  • Supremacia tecnológica

  • Independência estratégica

  • Capacidade de dissuasão nuclear

  • Influência geopolítica

A decisão russa mostra que, no campo da defesa estratégica, ganhos financeiros ficam em segundo plano quando comparados à preservação da superioridade militar.

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André Carvalho é administrador e diretor editorial do portal O Petróleo, responsável pela definição da linha editorial, supervisão de conteúdo e garantia dos padrões jornalísticos e técnicos do site. Atua na gestão de projetos digitais, jornalismo online e desenvolvimento de portais especializados, com foco em credibilidade da informação, SEO e experiência do leitor.