No Salão do Automóvel de Paris, Oliver Zipse, CEO da BMW, expressou preocupação com a meta da União Europeia de proibir veículos a combustão até 2035, considerando o objetivo inviável e arriscado para a indústria automotiva europeia. Zipse argumenta que uma transição exclusivamente voltada para veículos elétricos pode tornar a Europa excessivamente dependente de baterias de origem chinesa, destacando que uma abordagem diversificada, incluindo tecnologias como células de combustível de hidrogênio e biocombustíveis, pode proporcionar mais estabilidade e inovação para o setor.
Dependência da China preocupa montadoras
Zipse enfatizou que a dependência da China, maior fornecedor global de baterias para veículos elétricos, representa uma vulnerabilidade para a Europa. Essa preocupação é compartilhada por outras grandes montadoras, como Volkswagen e Renault, além de representantes de associações automotivas, que temem que a transição acelerada para carros elétricos comprometa a segurança econômica e a independência tecnológica do bloco europeu. Dados recentes mostram que o setor automotivo europeu já sofre retração, com queda de 16% nas vendas de carros em agosto, incluindo uma redução de 24% na comercialização de veículos elétricos.
Pressão por regulamentação mais flexível
Além de defender uma política “tecnologicamente neutra,” Zipse propõe que a União Europeia considere regulamentações que valorizem outras alternativas de baixa emissão, como e-combustíveis e biocombustíveis, além de apoiar a infraestrutura de carregamento para veículos elétricos. Com isso, a BMW e outras montadoras esperam um equilíbrio regulatório que permita uma transição mais inclusiva e adaptável às diferentes realidades dos países europeus.
Desafios e futuro da mobilidade
Com o setor automotivo europeu em uma encruzilhada, o apelo de Zipse e de outras lideranças do setor reforça o dilema entre avançar no compromisso ambiental e preservar a competitividade econômica. A decisão da União Europeia nos próximos meses será determinante para o futuro da mobilidade no continente, com impactos profundos sobre empregos, investimentos e a posição global da indústria automotiva europeia.
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