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Zerar emissões virou moda, diz presidente da Petrobras

A Petrobras (PETR4) prometeu um corte de 25% nas emissões de carbono até 2030, mas isso não impediu o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, de minimizar as promessas de concorrentes de neutralizar completamente as pegadas de carbono duas décadas depois.

“Virou moda fazer promessas para 2050. Parece um ano mágico”, disse Castello Branco em entrevista. “Deste lado do Atlântico, temos uma visão diferente sobre a mudança climática.”

Sua postura ecoa mais ou menos a de gigantes de petróleo dos EUA Exxon Mobil e Chevron, que têm planos de redução das emissões, mas falam abertamente sobre seu foco no petróleo.

Recentemente, a empresa de gás de xisto Occidental Petroleum se tornou a primeira grande petroleira dos EUA com meta de zerar as emissões líquidas de tudo que extrai e vende até 2050. Royal Dutch Shell, BP e outras grandes produtoras europeias foram as primeiras a fazerem promessas semelhantes.

Embora a meta da Petrobras de um corte de 25% seja mais modesta, ainda destaca a crescente importância dos critérios ambientais, sociais e de governança, ou ESG na sigla em inglês, para investidores e a sociedade em geral.

A política climática da Petrobras se concentra em medidas “tangíveis” para reduzir a quantidade de poluição causada pela extração, transporte e refino de petróleo, disse Castello Branco. A empresa montou recentemente uma equipe de gestão dedicada à mudança climática. Mas, assim como a Exxon e a Chevron, ainda evita a energia renovável, onde tem pouca experiência e acredita ser improvável gerar lucro.

O governo tem sido muito criticado por não fazer o suficiente para combater os incêndios em níveis recordes na Amazônia e por incentivar o assentamento. Quando confrontado com o ceticismo sobre as políticas ambientais da Petrobras, Castello Branco disse que responde com fatos e números, como a redução de 70% das emissões da nova linha de diesel à base de soja da estatal.

A Petrobras também tem expandido os campos mais prolíficos, que produzem um tipo de petróleo mais leve e menos poluente do que os campos tradicionais que está vendendo. A ideia é produzir apenas os barris mais rentáveis, não o modelo de crescimento a todo custo visto durante os anos de expansão anteriores no setor de petróleo, disse Castello Branco.

Pico do petróleo

Falar sobre o pico do consumo de petróleo no curto prazo é prematuro e pode ser tão equivocado quanto os adeptos da teoria do Pico do Petróleo, que há uma década pensavam que o combustível fóssil estava perto do fim, disse o executivo.

“Acredito que o petróleo terá demanda por um longo período. Ainda é a espinha dorsal da sociedade moderna”, disse. “Esse assunto de pico de demanda é semelhante ao que ouvimos no passado sobre pico de oferta. Não sabemos.”

A Petrobras tem conseguido enfrentar a crise do mercado em 2020 graças à forte demanda chinesa pelos tipos de petróleo mais dominantes da empresa em campos de águas profundas. A estatal está vendendo petróleo do campo de Búzios para a China, e as exportações aumentarão ainda mais se conseguir vender oito refinarias.

Castello Branco disse que quatro dessas refinarias estão nos estágios finais do processo de venda, e o resto será vendido antes do final de 2021. A Petrobras poderia ter vendido ainda mais petróleo para a China neste ano, afirmou.

“Há espaço para exportar mais para a China. Depende da nossa capacidade de produção”, disse. “A China continuará a ser um grande cliente da Petrobras.”

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