Óleo e Gás

Venda de gás da Petrobras pode elevar propriedade dos estados

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A pressão do Brasil para que a estatal Petrobras se desfaça do negócio doméstico de distribuição de gás natural pode acabar aumentando a participação dos estados individuais no setor, frustrando os planos de abrir a concorrência.

A Gaspetro, subsidiária da Petrobras para distribuição de gás natural, está ligada aos governos estaduais do Brasil em 19 empresas regionais de distribuição de gás. A Petrobras concordou em julho em vender sua participação de 51pc para a Compass Gas. A japonesa Mitsui possui os outros 49 unidades.

Como parte das vendas da Gaspetro, os estados e a Mitsui podem exercer opções de compra de participações na Gaspetro. A Mitsui disse informalmente aos seus parceiros nas distribuidoras que não o fará, disse à Argus uma pessoa com conhecimento das negociações , abrindo a porta para os estados comprarem participações nas suas distribuidoras regionais de gás.

Em discussões no final do mês passado, os presidentes das distribuidoras de gás do Nordeste discutiram a possibilidade de aumento da participação dos estados em cada uma das empresas. Nos oito estados onde a Mitsui também é controladora direta da empresa, com 24,5% das ações além da Gaspetro, os estados podem ter capacidade de investimento suficiente para aumentar suas participações e estão considerando a mudança.

“Muitos governadores veem a importância do mercado de gás natural na transição energética e para ajudar na recuperação econômica das economias locais em tempos pós-pandêmicos”, disse Larissa Dantas, diretora-presidente da distribuidora do Rio Grande do Norte , Potigás.

Em alguns estados, as distribuidoras de gás ainda precisam de mais alguns anos de investimento público, principalmente para ampliar a infraestrutura, disse Dantas.

Como a Mitsui é parceira das distribuidoras por meio de sua participação na Gaspetro, ela planeja adiar a decisão de comprar mais do negócio, um movimento que reduziria a participação da Compass.

A venda da Gaspetro faz parte do compromisso da Petrobras com o CADE, que fiscaliza a concorrência para abrir o mercado de gás. A agência tem quase 11 meses para revisar a proposta do Compass.

Compass é a divisão de gás do grupo Cosan. Possui a distribuidora paulista de gás Comgás, que possui os maiores volumes comercializados de gás natural do país. Os participantes do setor de gás temem que a transação prejudique a concorrência, dando poder de mercado aos maiores consumidores de gás.

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