Economia

Varejo revisa planos para 2022 após Natal fraco

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De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira, o crescimento real das vendas durante a semana de Natal foi baixo, inferior a 1%, indicando volume vendido sem expansão relevante no total geral (lojas online e físicas). Esse desempenho fortalece o cenário de incertezas para os planos e projeções das empresas em 2022 – um ano eleitoral que historicamente traz um forte componente de instabilidade aos mercados.

Organizações empresariais, analistas e consultores afirmam que, apesar da maior circulação de recursos na economia durante os períodos eleitorais, esta vem perdendo força na última década, com menor efeito sobre o consumo. E dizem que o orçamento anual das empresas, já aprovado, pode ser revisto se os primeiros meses de 2022 apresentarem vendas “mesmas lojas” tímidas (pontos com mais de 12 meses, que descontam o efeito das aberturas).

“A Black Friday não foi boa e dezembro não teve recuperação. E, no início do ano há muita saída de caixa do varejo, com pagamento de tributos, o que é preocupante nesse cenário ”, disse Marcelo Silva, presidente do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), que tem mais de 70 grandes cadeias como membros.

De acordo com o Índice Cielo do Varejo Amplo (ICVA), divulgado nesta segunda-feira, houve aumento de 11,1% nas vendas nominais de 19 a 25 de dezembro, em relação ao mesmo período de 2020. A Cielo não deflaciona a taxa. No acumulado de 12 meses (janeiro a dezembro), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) está em 10,42% – o maior índice desde 2015. Descontada a pressão sobre os preços, o ganho real é inferior a 0,7%.

“Temos que lembrar que a inflação no varejo está acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e pode chegar a 12%, 13% em dezembro, o que acaba levando a uma queda real desse índice. Não é fácil vencer a inflação de dois dígitos no Brasil ”, diz Fabio Bentes, economista sênior da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Nas lojas físicas, o aumento ficou abaixo da média, de 8,8% em termos nominais, portanto, com queda real. No e-commerce, o aumento nominal foi mais forte, 38,6%, informa Cielo, para uma inflação de quase 19% de janeiro a outubro, segundo o índice e-flation, do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar). Outra pesquisa da Neotrust, divulgada pelo Valor nesta segunda-feira, mostra que, de 10 a 25 de dezembro, as vendas subiram 17,9% – mesmo patamar da inflação até outubro.

Segundo dados da consultoria Virtual Gate, obtidos pelo Valor, de 1º de dezembro ao Natal, houve queda de 25% no tráfego de clientes nas lojas em relação a 2019 e aumento de 10% em relação a 2020. Como a base do ano passado teve efeito da pandemia, que reduziu a circulação, já se esperava que, neste ano, o índice aumentasse. Por outro lado, a recusa de 2019 pode refletir a migração de consumidores das lojas físicas para as lojas online.

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