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Uma corrida de carregamentos brasileiros de açúcar segue incomumente para a Rússia

Pelo menos cinco navios estão indo para a Rússia com quase 200.000 toneladas de açúcar bruto brasileiro vendido por comerciantes europeus, de acordo com dados de embarque vistos pela Reuters, cerca do dobro das importações anuais normais do país do adoçante.

As sanções após a invasão da Ucrânia pela Rússia aumentaram a demanda por açúcar e outros alimentos básicos, e as prateleiras das lojas estão esvaziando devido ao acúmulo de alimentos. No entanto, as sanções também podem tornar mais difícil para os transportadores serem pagos por suas cargas.

O volume de açúcar embarcado é excepcionalmente alto, disseram traders, observando que a Rússia tende a importar cerca de 100.000 toneladas de açúcar por ano. A Rússia não é um importador ou exportador notável de açúcar, mas os russos começaram a acumular o adoçante.

Enquanto as vendas de açúcar não são cobertas pelas sanções, as transações financeiras são. Além disso, analistas disseram que problemas de segurança no Mar Negro podem atrapalhar os navios.

As rotas marítimas do Mar Negro estão emaranhadas porque a guerra fechou portos na Ucrânia e as empresas se recusam a comprar algumas commodities da Rússia. Um comerciante com sede nos EUA disse que os navios com destino à Rússia estão esperando na área do Mar Negro por autorização para se mudar para o porto de Novorossiysk, na área russa de Krasnodar Krai.

Além dos embarques russos, há também três navios com cerca de 100 mil toneladas de açúcar com destino à vizinha Geórgia, segundo dados de movimentação portuária fornecidos por agências marítimas no Brasil e informações de comerciantes do mercado de açúcar.

A Rússia deveria importar apenas cerca de 100.000 toneladas de açúcar durante todo o ano de todos os fornecedores, não apenas do Brasil, segundo dados da Organização Internacional do Açúcar. Esperava-se que a Geórgia importasse 130.000 toneladas.

“Bem, todo esse açúcar pode desembarcar na Geórgia, mas depois será enviado para a Rússia”, disse um comerciante de açúcar dos EUA.

Outro trader de açúcar, com sede no Brasil, disse que os volumes estão muito altos por um curto período de tempo, tanto para a Rússia quanto para a Geórgia, dizendo que os compradores provavelmente estão procurando aumentar os estoques.

Os embarques para a Rússia e Geórgia foram carregados em navios que saem do Brasil, o maior exportador de açúcar do mundo, com três comerciantes europeus de alimentos e uma empresa brasileira por trás dos negócios: Sucden, Louis Dreyfus Co e Tereos na Europa e Raizen RAIZ4.SA no Brasil.

A Sucden é o maior player nesses negócios, com um navio indo para a Geórgia e quatro navios indo para a Rússia com um total de 188.250 toneladas de açúcar bruto. A empresa não respondeu a perguntas sobre segurança e pagamento das cargas.

Dreyfus disse que o navio Pu Lan Hai, que deixou o Brasil no final de fevereiro declarando a Rússia como destino, agora deixará parte da carga no Egito e o restante na Geórgia. Ele se recusou a comentar mais.

A Dreyfus, uma das maiores traders de commodities do mundo, disse em 4 de março que estava interrompendo as operações na Rússia devido ao conflito na Ucrânia, que Moscou chamou de “operação especial”.

A Tereos disse que o navio com 50.000 toneladas de açúcar com destino à Rússia foi revendido para outro embarcador e não é mais responsável por esse negócio. Ele diz que está em conformidade com as regras europeias atuais. Raizen se recusou a comentar.

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