Economia

Transporte de cargas leves decola com varejo eletrônico

transporte marítimo

As empresas de logística especializadas em transporte de cargas leves estão conseguindo enfrentar o difícil período da pandemia com a ajuda do varejo eletrônico, que não para de crescer no Brasil. Gestores da empresa disseram ao Valor que a inflação e a desvalorização do real frente ao dólar não afastaram os clientes do varejo online, mas o hábito de compra mudou.

Eletrodomésticos e itens de maior valor agregado deram lugar a produtos como alimentos, bebidas e vestuário. Mesmo transportando itens mais baratos, os volumes são mantidos e as empresas aumentam os investimentos.

Segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o comércio eletrônico em 2021 faturou R$ 150,8 bilhões. Para este ano, espera-se um aumento de 12%.

O avanço no mercado levou a DHL Supply Chain (filial da americana DHL) a ampliar seus esforços no Brasil. O grupo, que possui mais de 5.000 veículos (entre próprios e agregados), ampliou sua capacidade em Extrema, no sul de Minas Gerais, onde investiu em novas instalações, com cerca de 12.000 m², no ano passado.

Ana Blanco — Foto: Divulgação

Ana Blanco — Foto: Divulgação

“Todo o mercado está olhando para suas cadeias de suprimentos e pensando no que precisa ser revisto nesse novo cenário, que exige uma cadeia mais resiliente”, disse Ana Blanco, vice-presidente de operações da DHL Supply Chain no Brasil. Cadeias como o comércio eletrônico exigem maior proximidade com o consumidor, o que motiva investimentos, principalmente na digitalização dos negócios, disse a Sra. Blanco.

Cerca de 40% dos negócios da DHL Supply Chain no Brasil são destinados à entrega de produtos industriais e de varejo ao cliente. Mesmo com a crise econômica e o aumento da inflação, o setor continuou crescendo, disse a Sra. Blanco. “Não conheço nenhum dos meus clientes que não tenha visto crescimento [em 2021]. Mas a verdade é que em nossas operações notamos uma pequena mudança no mix. Em 2020 foi a eletrónica, muito devido à adaptação das famílias ao trabalho em casa, agora vemos outras categorias a destacarem-se, como os supermercados.”

A mudança no mix também foi percebida na Loggi, startup de logística. “Nosso volume não caiu. Hoje, trata-se menos de comprar uma geladeira e mais de produtos de alta rotatividade”, disse Ariel Herszenhorn, vice-presidente de vendas da empresa.

Além disso, há cada vez mais brasileiros usando a internet. Só no primeiro semestre de 2020, foram 7,3 milhões de novos consumidores, segundo dados da Ebit/Nielsen.

Do lado do modal aéreo, notou-se a forte demanda por transporte de cargas na Azul. Em 2021, a Azul Cargo registrou receita de R$ 1 bilhão, o dobro do registrado em 2019. “Há um foco forte no comércio eletrônico, que faz parte dele. Mas a verdade é que há muitos outros setores que também estão crescendo”, disse o vice-presidente de receita da companhia aérea, Abhi Manoj Shah, em relação ao crescimento da demanda do transporte aéreo em detrimento do rodoviário.

Cerca de 85% da carga transportada pela empresa está no porão de voos comerciais. Aproximadamente 50% da carga que voa nos porões da Azul vem de marketplaces.

Atualmente, a Azul Cargo chega a 4.500 municípios do país. A meta é chegar perto de 5.000 este ano. Mas o foco principal do grupo é expandir o número de municípios onde pode entregar um pedido em 48 horas, dos atuais 1.000 locais para 1.500 até dezembro, já que a velocidade é considerada crucial para o comércio eletrônico.

O crescimento do mercado de logística no país tem sustentado os negócios da Reconlog, que oferece galpões de lona — uma estrutura de 4.000 m² pode ser montada em oito dias. O galpão é alugado, o que dá flexibilidade às empresas para se adequarem ao crescimento da demanda pontual, como é o caso da Black Friday para o varejo. “Fechamos 2020 com faturamento de R$ 18,5 milhões, número que saltou para R$ 72 milhões em 2021”, disse Naldo Sales, presidente e fundador da Reconlog.

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