Óleo e Gás

Substituir usinas a óleo por térmicas a gás economizaria bilhões no NE

Já prevendo o insucesso de grandes termelétricas no leilão A-6 do fim do mês, o setor se movimenta para tentar viabilizar a substituição de usinas antigas a óleo combustível do Nordeste, mais caras e poluentes, por novos projetos a gás natural.

Um estudo preparado pela Thymos Energia a pedido da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget) aponta que, se as usinas a óleo tivessem sido substituídas por outras a gás natural entre 2012 e 2015, o consumidor teria obtido uma economia de R$ 6 bilhões por ano, evitando custos decorrentes da geração das usinas mais caras, da exposição ao risco hidrológico e também com encargos.

Além disso, os reservatórios das hidrelétricas não teriam enfrentado a situação crítica dos últimos anos — como as térmicas a gás têm custo mais baixo, seriam despachadas com maior frequência do que as a óleo.

O Valor apurou que a proposta de realização de um leilão para contratação de termelétricas a gás natural foi apresentada na última reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), na semana passada. Na ocasião, porém, o colegiado não aprovou a medida de imediato e determinou a realização de estudos mais aprofundados sobre a necessidade de implantação de termelétricas no Nordeste.

Caso os estudos indiquem a necessidade de construção de térmicas na região, será preciso um segundo estudo para determinar qual seria o melhor mecanismo de contratação dessa fonte.

“O sensato foi o que prevaleceu na reunião. É preciso estudar profundamente o assunto e não adotar uma alternativa de forma corrida, principalmente tendo sido proposto um leilão que foi abandonado por ser ineficiente [leilão de energia de reserva]”, disse uma fonte com conhecimento do assunto.

Ainda não foi definido um modelo de contratação para essas usinas. A ideia que prevalece é que as novas termelétricas devem entrar em operação conforme os contratos vigentes das usinas a óleo forem vencendo ao longo dos próximos anos.

Não se sabe, porém, se as usinas vão receber uma receita fixa pela disponibilidade, com despacho apenas quando o custo de operação for mais competitivo.

Outro ponto de convergência no setor é que a energia deve ser contratada diretamente pelas distribuidoras, o que descarta a configuração de um leilão de reserva, na qual a garantia física era contratada pelo governo.

Com a determinação de realização de mais estudos sobre a real necessidade de implantação de projetos termelétricos a gás natural no Nordeste, um especialista do setor disse ser pouco provável que um leilão específico para contratação da fonte seja realizado ainda este ano.

 

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