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Setor privado sinaliza retomada de obras de infraestrutura

Apesar das incertezas políticas e dos juros ainda altos, representantes da iniciativa privada mostram otimismo com a possibilidade de voltarem a investir em obras de infraestrutura a partir do ano que vem. Consultores, empresários e economistas apontam as mudanças promovidas pela equipe do presidente Michel Temer no setor como as principais responsáveis pela retomada da confiança nesse tipo de obra.

No entanto, o fato de o Programa de Parceria de Investimentos (PPI) ser considerado por esses representantes da iniciativa privada “mais bem projetado” do que as concessões feitas durante os mandatos da ex­-presidente Dilma Rousseff pouco devem contribuir para retomada da economia no curto prazo, já que são projetos mais complexos.

“Tem apetite para investir? Claro que tem”, disse ontem Marco Geovanne Tobias da Silva, vice ­chairman do Bank of America Merrill Lynch, no Fórum das Privatizações, promovido pelo Instituto Ibmec, em São Paulo. Outros participantes do evento ouvidos pelo Valor expressaram opinião semelhante.

A ampliação do período entre o lançamento dos editais do PPI e a assinatura do contrato e o fim da modicidade tarifária são apontadas como alguns dos fatores com influência direta do governo que aumentaram o otimismo da iniciativa privada. A maior capacidade de diálogo do atual governo também foi elogiada.

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“Isso mudou da noite para o dia”, disse Roberto Faldini, ex­presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Outros fatores independentes do governo, como as taxas de juros baixas no exterior, também devem contribuir para essa retomada.

Um interlocutor do setor ferroviário diz que o setor está otimista com a possibilidade de renovar as atuais concessões. “Mesmo com as incertezas, o Brasil não vai deixar de exportar minério de ferro, por exemplo”, diz.

A criação do PPI foi uma das primeiras medidas tomadas por Temer, que inclusive preside o conselho do programa. Ao todo, o governo quer estabelecer 34 parcerias com o setor privado, em rodovias, ferrovias, aeroportos e obras de saneamento, entre outras.

Ainda que não haja uma estimativa oficial sobre o impacto que o PPI teria na atividade, o secretário de Articulação de Investimentos e Parcerias do programa, Marcelo Resende Allain, estima que ele pode aumentar o Produto Interno Bruno em 1% nos próximos anos. Além disso, a tendência é que os impactos indiretos na atividade sejam ainda maiores. “Você constrói uma ferrovia que, por exemplo, possibilita a plantação de grãos em uma região”, disse.

Outros órgãos do governo também mantêm o discurso sobre a importância de a iniciativa privada voltar a participar das obras de infraestrutura. “Desestatização é prioridade no BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]”, garante Liliane Delesderrier, chefe do departamento de privatizações da instituição financeira. Desde que Maria Silvia Bastos Marques assumiu o comando do banco, o departamento passou a responder diretamente à presidência da instituição.

Já empecilhos às parcerias, como a crise política e os juros altos, podem atrapalhar, mas não devem impedir os investimentos. “Os juros hoje estão próximos de 14%, mas não será assim para sempre”, disse Luciana Dias, que representou a GO Associados.

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