Offshore

Sapura busca ampliar seus horizontes offshore no Brasil

Um dos principais operadores de navios de apoio a dutos (PLSV) no Brasil, Sapura, está de olho em oportunidades de descomissionamento offshore e serviços de energia eólica, disse o CEO local Rogério Salbego à BNamericas nesta entrevista.  

Salbego também fala sobre as perspectivas de negócios para o país, onde os projetos foram retomados após um atraso causado pela pandemia COVID-19. A entrevista foi realizada por e-mail.

Entrevistador : Quais as perspectivas para o mercado brasileiro neste e nos próximos anos, considerando o contexto de crise econômica e de saúde?

Olá: A crise do COVID-19 atrasou os projetos já sancionados pelos operadores, que agora saem da prancheta. Ao mesmo tempo, estamos vendo um forte movimento por parte de majors e IOCs [petrolíferas internacionais] para contratar novos projetos, elevando a demanda além dos níveis pré-crise, com números que não víamos há alguns anos. É indiscutível que há muito potencial em termos de volume de produção de IOCs no Brasil, mas mesmo se deixarmos isso de lado e considerarmos apenas a Petrobras [petroleira federal], já seria possível entender o potencial do nosso mercado. A Petrobras anunciou recentemente que colocará em serviço 13 novos FPSOs entre 2021 e 2025. Isso terá um grande impacto em toda a indústria de serviços offshore, exigindo diversos tipos de ativos e a prestação de serviços especializados.

Entrevistador  : Quais são os principais projetos / contratos da Sapura em curso no país?

Salbego : Nossos contratos no Brasil hoje estão relacionados à prestação de serviços e afretamento de PLSVs para a Petrobras, com quatro embarcações [Sapura Onix, Jade, Esmeralda e Rubi], e a PetroRio , com uma embarcação [Sapura Topázio]. 

Entrevistador  : A empresa prevê crescimento no Brasil? Você pode nos dar uma meta ou estimativa?

Salbego : Prevemos um aumento da nossa quota de mercado, principalmente no que diz respeito ao modelo de contratação EPCI [engenharia, aprovisionamento, construção e instalação], que está em pleno crescimento.

Entrevistador  : Qual o futuro da demanda por PLSVs no país, considerando os projetos da Petrobras e das operadoras privadas? Quais lances são esperados?

Salbego : A Petrobras lançou recentemente um concurso público para a contratação de PLSVs com prazo contratual de três anos. Não sabemos exatamente quantas embarcações serão contratadas nesta licitação, mas existe a perspectiva de aumentar substancialmente a frota atual.

Além dessa demanda, as EPCIs SURF [umbilicais submarinos, risers e flowlines] que estão no mercado também exigem o lançamento de linhas flexíveis e umbilicais em águas ultraprofundas, aumentando ainda mais a demanda por esse tipo de embarcação.

Algumas das EPCIs esperadas pelo mercado no primeiro e segundo trimestre de 2021 são: Mero 3 , Mero 4, Buzios  6, Buzios 7, Buzios 8 e HISEP [sistema inovador de separação submarina de CO2 da Petrobras com previsão de instalação no bloco de Libra].

BNamericas : As petroleiras tendem a exigir que os PLSVs atuem cada vez mais “polivalentes”, ou seja, capazes de instalar diversos tipos de equipamentos submarinos?

Salbego : Certamente. A flexibilidade e o valor agregado que uma embarcação polivalente traz ao projeto têm sido cada vez mais solicitados pelos operadores. Nos últimos seis anos, adotamos uma postura extremamente pró-ativa na Sapura, fazendo investimentos consideráveis ​​em nossas embarcações e capacidade de engenharia. O resultado desse esforço foram alguns projetos atípicos para um PLSV, realizados com sucesso, como o lançamento de um jumper flexível de 16 ”, instalação de manifolds em águas ultraprofundas e instalação de árvore de natal molhada através do guindaste da embarcação, para cite alguns exemplos.

Entrevistador  : Que outros nichos de mercado a Sapura está de olho no Brasil?

Salbego : Não podemos ignorar o enorme potencial de desenvolvimento de parques eólicos offshore ao longo da extensa plataforma continental brasileira. Certamente estamos acompanhando esse mercado de perto e esperamos ser um participante relevante nas fases de FEED [design de engenharia de front-end], engenharia e instalação para este mercado.

No curto prazo, estamos olhando para o mercado de descomissionamento. Já houve licitação para o descomissionamento das plataformas do Cação, e ainda há licitação para o descomissionamento (coleta e destinação) das linhas flexíveis e sistemas de ancoragem nas áreas dos “armazéns submarinos” na bacia de Campos.

Entrevistador  : O aumento esperado de terminais flutuantes de regaseificação pode gerar novas oportunidades de negócios para a Sapura? A empresa trabalhou na instalação de dutos interligados ao FLNG da Celse , em Sergipe, certo? Como foi essa experiência?

Salbego : A capacidade interna de engenharia que construímos ao longo da vida da empresa é por si só um ativo extremamente valioso para assumir novos projetos offshore como a instalação e conexão de um terminal flutuante de regaseificação, por exemplo.

Em relação ao projeto do Celse no porto de Sergipe, elaboramos todos os procedimentos de engenharia, começando pelo posicionamento e engate da FSRU (unidade flutuante de regaseificação de armazenamento) no sistema submarino, bem como o lançamento do duto rígido em o mar, instalação do gasoduto em terra, ligação de todo o sistema à termelétrica Celse [ Porto de Sergipe ], finalizando com o pré-comissionamento dos gasodutos.

Entrevistador  : Existe alguma chance da Sapura construir novos PLSVs no Brasil ou no exterior? Ou a empresa tenderá a usar apenas os navios existentes nos próximos anos?

Salbego : Considerando as forças em curso que pressionam fortemente por uma mudança na matriz energética, o mercado em geral pode estar mais interessado em construir ou adaptar ativos que possam participar de projetos mais sustentáveis, como a instalação de cabos de energia em parques eólicos. Dito isso, ainda precisamos estar bem preparados para atender às demandas globais do mercado de óleo e gás, e não podemos descartar um futuro aumento da frota. Olhando o mercado hoje e fazendo uma previsão para os próximos anos, conseguimos atender a demanda das operadoras com os PLSVs existentes.

Entrevistador  : Em que nível estão as taxas de afretamento do PLSV no Brasil e no exterior?

Salbego : Entre US $ 160.000 e US $ 220.000 [por dia], dependendo da capacidade da embarcação.

Entrevistador  : No ano passado, as petroleiras realizaram rodadas de negociações de contratos com fornecedores em meio a uma queda acentuada do preço do petróleo. Com a recuperação de Brent, há espaço para aumento das diárias?

Salbego : Ainda esperamos pressão de baixa nas diárias em um futuro próximo (um a dois anos) considerando que muitas embarcações que foram construídas no pico do mercado, entre 2007 e 2013, ainda estão se reestabelecendo no mercado e em prospecção para novos contratos.

Entrevistador  : Como a pandemia está afetando suas atividades? A empresa registrou funcionários contaminados ou óbitos? Que medidas você tomou até agora para evitar a propagação do vírus entre seus funcionários?

Salbego : Desde o início tomamos medidas drásticas para garantir, em primeiro lugar, a segurança do nosso pessoal e a continuidade das operações offshore. Começamos com restrições de embarque para funcionários pertencentes ao grupo de risco.

Estabelecemos um protocolo rígido, que inclui uma quarentena antes da partida de 14 dias, oito dias em casa e seis dias em um hotel dedicado. Para reduzir a exposição dos colaboradores, contratámos um hotel de uso exclusivo e subcontratados da Sapura. Cada funcionário realiza pelo menos 2 testes de RT-PCR durante a quarentena, e já realizamos mais de 12.000 testes de PCR em nossa tripulação, com 412 testes positivos (290 funcionários da Sapura e 122 fornecedores). Ou seja, atuamos fortemente na prevenção do embarque de colaboradores positivos, evitando assim a divulgação a bordo. Atualmente, cada navio possui uma máquina para realização de RT-PCR em casos suspeitos a bordo. Essa medida trouxe muita tranquilidade aos colaboradores e agilidade no tratamento desses casos, evitando pânico e incertezas. Anteriormente,

No que diz respeito à atenção ao estado psicológico dos colaboradores, tão importante no momento, implantamos um programa de atendimento psicológico à distância, em parceria com a Bradesco Saúde, o OrienteMe. Além disso, em parceria com o hospital Albert Einstein, implantamos o serviço de telemedicina para colaboradores, familiares e residentes com o colaborador Einstein Conecta.

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