Economia

Restauração após 2015 barragem no Brasil estourou em atraso, Diz Especialista da ONU

Todos os 42 projetos de restauração após o colapso mortal de uma barragem brasileira em 2015 estão atrasados, de acordo com um relatório de especialista da ONU publicado enquanto a gigante da mineração BHP aguarda para ouvir se será processado por tribunais ingleses sobre o desastre.

O Relator Especial da ONU, Baskut Tuncak, alegou que as empresas de mineração não forneceram apoio efetivo às vítimas desde que o pior desastre ambiental do Brasil matou 19 e dizimou o sustento de mais de 3 milhões de pessoas.

“Hoje, nenhum dos 42 projetos está em andamento”, disse ele em um relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, publicado na quarta-feira (16).

O rompimento da barragem do Fundão, que armazenava resíduos de mineração e é propriedade da joint venture Samarco entre a BHP e a gigante brasileira da mineração de minério de ferro Vale, despejou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de resíduos de mineração em comunidades, no Rio Doce e no Oceano Atlântico, 650 km de distância.

A Fundação Renova, um esquema de reparação estabelecido em 2016 pela divisão brasileira da BHP, Samarco e Vale, disse que as obras de reassentamento estavam em andamento e os projetos de monitoramento da qualidade da água e recuperação ambiental estavam dentro do cronograma.

A anglo-australiana BHP, a maior mineradora do mundo, afirma que e a Vale forneceram, cada uma, cerca de US $ 1,7 bilhão para apoiar o trabalho da Renova em projetos como ajuda financeira a famílias indígenas Krenak, reconstrução de vilas e estabelecimento de novos sistemas de abastecimento de água.

Mas Tuncak alegou que o “verdadeiro propósito” da Renova parecia ser “limitar a responsabilidade da BHP e da Vale” e pediu que sua estrutura de governança fosse reformada.

Um porta-voz da BHP disse que os fatos pintam um quadro diferente e que a BHP está totalmente comprometida em “fazer a coisa certa”.

A Vale não respondeu aos pedidos de comentários.

Mais de 200.000 brasileiros e grupos iniciaram um processo de 5 bilhões de libras (US $ 6,5 bilhões) contra a BHP na Grã-Bretanha em julho sobre o rompimento da barragem, alegando que a compensação havia sido lenta e inadequada.

A BHP disse que seria inútil ouvir o caso na Inglaterra, alegando que duplicou os processos brasileiros e que as vítimas já estavam recebendo reparação.

Um juiz deve decidir no final de setembro se a reclamação do grupo de registro pode ir adiante.

Voltar ao Topo