Economia

Real cai em meio a alta do dólar e tensões locais

O real voltou à lista das piores moedas entre seus pares com duas sessões de pesadas perdas, sofrendo um golpe do dólar em alta após se beneficiar de um carry trade lotado, com o aumento das tensões em Brasília dando aos traders um motivo para Fora.

Na segunda-feira, o real caiu 1,44%, após uma queda de 3,91% na sexta-feira, quando sua depreciação saltou para os níveis mais altos desde que o mundo mergulhou na pandemia de coronavírus há dois anos.

O rali do dólar norte-americano foi globalmente impulsionado pelos riscos de um aperto monetário mais forte pelo Federal Reserve, mas as questões domésticas amplificaram o impacto sobre a moeda brasileira após seus ganhos impressionantes desde o início do ano.

Na quinta-feira passada, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que perdoaria um deputado federal aliado que o Supremo Tribunal condenou a quase nove anos de prisão, aumentando as tensões entre o Executivo e o Judiciário do país durante um ano eleitoral. [nL2N2WJ2TJ

As preocupações com o aumento dos gastos à medida que Bolsonaro busca a reeleição também pesam nas perspectivas, enquanto os investidores tentam mapear os riscos fiscais por quem assumir o cargo em 2023.

André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos, também mencionou a recente tensão entre o ministro do STF Luis Roberto Barroso e as Forças Armadas sobre a justiça das urnas eletrônicas.

“Essa questão cria um clima de forte instabilidade para as eleições presidenciais de outubro, e isso é central para muitos investidores internacionais que veem a estabilidade democrática como um ponto-chave para investimentos de longo prazo”, disse ele.

O real caiu 2,90% para 4,95 por dólar na mínima do dia, mas reduziu as perdas para 4,8768 reais. Sofreu sua maior queda em dois dias desde maio de 2017, quando escândalos de corrupção derreteram os mercados brasileiros.

O movimento impulsionou as apostas dos analistas de que a moeda voltará a se aproximar de 5 reais por dólar devido às restrições de liquidez global e incertezas políticas no Brasil.

“O comércio estava muito carregado em reais, tivemos semanas, meses de entrada de moeda. Mas na hora de sair a porta é sempre pequena, é sempre assim”, disse Marcos Weigt, chefe de tesouraria do Travelex Bank, que espera que o dólar chegue facilmente a 5 reais se a liquidação continuar.

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