Economia

Raízen reduz as perspectivas para o maior IPO deste ano

Raízen distribuidora

A Raízen – joint venture entre Cosan e Shell – definiu quarta-feira a faixa de preço da oferta naquele que pode ser o maior IPO do ano. A operação pode arrecadar R $ 10,5 bilhões, considerando todos os lotes e o topo da faixa indicativa, que vai de R $ 7,40 a R $ 9,60.

A Raízen foi forçada a reduzir as ambições para tirar a oferta da prancheta. A empresa vinha sondando o mercado com um valor de mercado de R $ 90 bilhões, o que lhe permitiria levantar até R $ 13 bilhões com os lotes extras, incluindo R $ 10 bilhões da oferta base. Agora, a oferta básica vai levantar quase R $ 6,7 bilhões no meio do intervalo – no topo do intervalo, a empresa poderia levantar R $ 7,8 bilhões. No piso da faixa de preço, a Raízen levantaria R $ 6 bilhões.

O sindicato dos bancos espera definir o preço das ações em 3 de agosto. O BTG é o coordenador líder. Citi, Bank of America (BofA), Credit Suisse, Bradesco BBI, JP Morgan, Santander, XP Investimentos, HSBC, Safra e Scotiabank também estão coordenando a oferta.

Desde que a Raízen levou o primeiro prospecto à CVM, autoridade do mercado de valores mobiliários do Brasil, em junho, listada no Nível 2 de governança do B3, com duas classes de ações – as ordinárias ficando com a Shell e a Cosan – os administradores apontaram que a ausência no Novo O Mercado, seção da bolsa B3 com regras de governança mais rígidas, pode ser motivo para pedidos de descontos, principalmente em um IPO mais sensível à demanda de investidores estrangeiros. “O acionista controlador quer o dinheiro, mas não quer a participação dos acionistas minoritários. É um mau sinal ”, criticou um gerente que está avaliando a oferta.

A oferta incluirá apenas ações preferenciais (810,8 milhões) e a Raízen está listada no nível 2 da bolsa B3. Cosan e Shell deterão as ações ordinárias, mantendo o controle da empresa. A liquidez provavelmente será baixa após a oferta, pois o free float será limitado a 10,7% se lotes extras forem vendidos. A Raízen pediu à B3 para permitir a oferta, mesmo que o free float seja inferior aos 25% exigidos – e ainda está esperando por uma resposta.

Enquanto a Raízen avançava com a oferta, o dia também era marcado pelo cancelamento do IPO da InterCement, que cotaria as ações na quarta-feira. Em meio à pressão de investidores para reduzir a faixa de preço, principalmente depois que o concorrente CBA superou o desconto no dia anterior, a InterCement avaliou que não justificaria manter a oferta da forma que o mercado estava disposto a pagar.

Fontes dizem que o pedido de desconto veio principalmente de investidores locais na carteira, enquanto os estrangeiros mantiveram suas reservas dentro da faixa, mas não cobririam a operação sozinhos.

Na terça-feira, o grupo Votorantim aceitou reduzir em 20% o piso para listar a CBA levantando R $ 1,6 bilhão. A oferta da InterCement, por sua vez, seria apenas secundária e de volume bem maior, entre R $ 2,7 bilhões e R $ 5,1 bilhões, de acordo com os preços da faixa indicativa e da destinação dos lotes – o que ocuparia parcela significativa do acionista controlador em caso de desconto.

O capital seria utilizado para reduzir o endividamento da holding – a Mover Participações, antiga Camargo Corrêa – que pode recorrer a outras formas de capitalização ou aguardar outro momento para entrar no mercado.

Segundo os investidores, a empresa acenou com o desacordo com um preço mais baixo considerando que o mercado de cimento no Brasil passa por um bom momento, com demanda crescente, e que há oportunidades de consolidação e expansão no curto prazo.

Bradesco BBI, BofA, Itaú BBA, JP Morgan e UBS-BB coordenaram o IPO da InterCement. A faixa indicativa foi de R $ 18,20 a R $ 25,50.

Voltar ao Topo