Energia

Radix desenvolve projeto de readequação da plataforma para Enaval

A Radix vem focando em três áreas de negócios nos últimos tempos, dividindo suas equipes entre os trabalhos de engenharia, desenvolvimento de software e automação, sendo que esta última divisão vem passando por uma série de mudanças, com o advento da chamada Indústria 4.0. O presidente da empresa, Luiz Eduardo Rubião, conta que estão conseguindo passar pelo período da crise nacional sem solavancos, “por diversas razões”, e destaca a área digital como a mais promissora no momento, abrindo oportunidades em várias frentes.

Na área de engenharia, ele reconhece que o setor passa por um período difícil, mas diz que a Radix tem conseguido se manter bem com projetos de médio e pequeno porte. O mais recente deles é o detalhamento da readequação da Plataforma PNXL de Mexilhão, na Bacia de Santos, que passa por alterações para poder receber o gás do pré-sal. A empresa responsável pelo contrato é a Enaval, que subcontratou a Radix para o desenvolvimento do projeto. “O contrato tem 25 meses de duração, mas o grosso da engenharia vai levar em torno de 9 a 10 meses. É um projeto bom, que envolve pelo menos 50 pessoas da Radix”, conta.

Como está o momento para a Radix no mercado brasileiro e como está vendo as perspectivas no curto prazo?

O mercado tem várias frentes diferentes para nós. Uma parte voltada à engenharia, com projetos básicos e de detalhamentos; outra de desenvolvimento de software; e uma terceira que era mais de automação, mas hoje está se voltando para a indústria 4.0 – essa revolução digital, sistemas envolvendo projetos na nuvem, SAP, a parte de machine learning, inteligência artificial etc. Então hoje são essas as três grandes áreas.

E como elas estão?

O mercado de desenvolvimento de software está indo, não teve uma grande oscilação, mesmo com toda a crise. É uma área em que diversificamos muito, não trabalhamos apenas com a Petrobrás.  Já o mercado de engenharia está sofrendo a beça no cenário geral, mas nós, por diversas razões, até que não estamos sofrendo tanto, porque conseguimos encadear alguns projetos, pegamos um projeto de detalhamento de uma petroquímica em Camaçari, e depois pegamos o projeto de Mexilhão com a Enaval, para fazer o escopo da mudança na plataforma.

Qual a parte de vocês no contrato?

A Enaval foi contratada pela Petrobrás para fazer a obra de alteração da plataforma de Mexilhão para receber o gás do pré-sal e nós fomos subcontratados pela Enaval, com o aval da Petrobrás, para fazer a engenharia desse projeto. Faremos toda parte de detalhamento e ajudaremos a empresa a tocar o projeto. O contrato tem 25 meses de duração, mas o grosso da engenharia vai levar em torno de 9 a 10 meses. É um projeto bom, que envolve pelo menos 50 pessoas da Radix, mas prefiro não falar em valores. O valor da Enaval é público, de cerca de R$ 300 milhões. O nosso contrato é uma fração disso.

Então conseguimos encadear bons projetos, mas a maioria das empresas não conseguiu.  Até porque não tem muitos projetos grandes espalhados por aí. Estamos vendo que o mercado está sofrendo, com algumas empresas fechando, outras falindo, outras internacionais indo embora, então nós sabemos que é um momento ruim para a engenharia e sabemos que não vai melhorar em um ano.

Em quanto tempo acha que vai melhorar?

Acho que pelo menos dois anos. Até realmente haver uma virada significativa demora. Ainda mais agora com essa questão da revisão do conteúdo local. Mas a área ligada à revolução digital está passando por um bom momento, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Nessa área digital, especificamente em óleo e gás, quais serão as principais apostas?

Acho que a Chevron e a Shell aqui no Brasil, a Exxon nos Estados Unidos, entre outros, são cientes que hoje têm ideias e processos em andamento para contratar projetos que envolvem essa parte digital mais forte. A Petrobrás não, em relação a ela ainda não estamos sentindo nada neste quesito, mas esses outros clientes estão querendo usar essas tecnologias.

A verdade é que a indústria de óleo e gás perdeu um pouco o trem dessa área. A gente começou muito bem, foi líder da parte digital, de computação, usando cálculos numéricos etc, mas, de uns tempos para cá, com essas inovações surgindo, desde a cooperação em sistemas como o Waze até sistemas de compra que entendem todo o histórico do cliente e fazem indicações, que fazem parte de um lado não tão cartesiano, a indústria de óleo e gás deixou para trás, ficou atrasada. Mas agora está recuperando. Está correndo atrás disso.

Pode dar algum exemplo de aplicação disso na área de óleo e gás?

Um exemplo bom é a história da referência ouro. Por alguma situação, eu tenho alguma operação em que quero ter uma referência ouro para ela. A referência ouro é aquele período que a gente considera a melhor no histórico daquela unidade. Se ela sempre trabalhasse daquele jeito, seria maravilhoso. O cara não faz cálculos, equações diferenciais-parciais, não faz simulações de processo, nada disso. Ele pega os dados historiados, analisa e fala: nesse período foi uma operação excelente da unidade.  Isso é uma referência ouro.

Então podemos aproveitar isso fazendo uma gamificação, uns joguinhos, para comparar como que está operando em relação à referência ouro. Isso é um tipo de coisa que se está fazendo hoje.

E em relação ao conteúdo local, que você mencionou, o que acha importante manter e o que acha que pode ser revisto?

Na Radix, nós estamos passando pelo sétimo presidente como empresários. E a gente aprendeu que se você se fia muito que vai vir uma grande orientação do governo, a chance de se dar mal é muito alta. Então a melhor coisa é a empresa tentar se virar esquecendo um pouco esse lado. Mas eu, particularmente, acho que nosso modelo de conteúdo local não funcionou muito bem. Acho que também houve um erro dos empresários nesse lado. Foi dada uma direção para a massa dos empresários e muitas empresas investiram se fiando naquilo. E de uma hora para outra quebra-se tudo que foi falado antes? Essa história de que foi o outro presidente que falou, desculpa, mas isso não tem cabimento. Tem que ser uma questão de Estado. Então tem esse lado ruim. O cara que acreditou e investiu nisso, pode se dar mal numa história dessa. Mas não é o nosso caso.

Falando francamente, a gente nunca acreditou nisso. Nunca fizemos um investimento baseado numa das promessas feitas pelo governo. Então isso foi uma das coisas que ajudou a gente a se salvar dessa crise toda. Agora, de uma maneira geral, eu critico um pouco essa mudança. Não quero entrar no mérito de o modelo antigo ser melhor ou pior que o futuro, mas o que acho ruim é essa inconsistência, essa mudança de rumo meio caótica. Isso, para o ambiente empresarial, é péssimo. O Brasil já tem suas dificuldades particulares, então adicionar mais isso é uma verdadeira roleta-russa.

E a gente vê empresas de engenheira, que seriam nossas concorrentes, que estão indo embora, pedindo falência etc, mas isso não é um motivo para comemorar. É um concorrente a menos, mas é ruim para o ambiente empresarial do País ver essas empresas tendo um fracasso.


Fonte:
Petronotícias

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