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Próximo ministro da saúde do Brasil diz que seguirá plano do Bolsonaro

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, está sob pressão para lidar com a pandemia COVID-19 à medida que aumenta o número de casos e mortes.

O próximo ministro da saúde do Brasil – o quarto do país desde o início da pandemia COVID-19 – disse que pretende continuar o trabalho de seu antecessor na implementação das políticas do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro.

Bolsonaro, que enfrenta crescente pressão e indignação pública com a forma como seu governo está lidando com a crise, anunciou na segunda-feira que o cardiologista Dr. Marcelo Queiroga assumirá o cargo de ministro da saúde.

O Brasil viu um aumento nos casos e mortes por coronavírus nas últimas semanas, como o ministério da saúde disse na terça-feira que 2.841 mortes adicionais foram relatadas nas últimas 24 horas – um novo recorde de um único dia – juntamente com 83.926 novas infecções.

O Brasil registrou 11,5 milhões de casos de COVID-19 e mais de 279.000 mortes de pessoas até o momento, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins – o segundo maior total do mundo.

Queiroga sucederá Eduardo Pazuello, general que vinha sendo criticado por não ter experiência em saúde pública e supervisionar a crise.

“O ministro Pazuello tem trabalhado muito para melhorar as condições de saúde no Brasil e fui chamado pelo presidente Bolsonaro para dar continuidade a esse trabalho”, disse Queiroga nesta terça-feira, ao chegar para sua primeira reunião no ministério.

Ele disse que o ministro está lá para implementar as políticas de saúde definidas pelo presidente.

Espera-se que Queiroga seja formalmente nomeado para o cargo na quarta-feira, mas já se reuniu com Pazuello para começar a discutir a transição.

Queiroga também disse que os bloqueios não são a maneira de controlar a pandemia, ecoando Bolsonaro, que evitou as restrições à saúde pública, apesar dos apelos de líderes locais e regionais por medidas mais rígidas.

O governador do estado de São Paulo, por exemplo, impôs um bloqueio de duas semanas neste mês em um esforço para conter a possível disseminação do vírus, apesar das ameaças de corte de verbas federais.

Os bloqueios levaram alguns brasileiros a protestar nos últimos dias.

Enquanto isso, Pazuello disse na segunda-feira que o Brasil encomendou 100 milhões de doses da vacina Pfizer-BioNTech e 38 milhões da Johnson & Johnson, enquanto negocia 13 milhões de doses da vacina da Moderna Inc.

Bolsonaro disse ainda esta semana que o Brasil está “entrando em uma fase mais agressiva no combate ao vírus”.

Geraldo Monteiro, cientista político da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, disse que, apesar de seus comentários recentes, as convicções de Bolsonaro continuam as mesmas.

“É mais um recuo estratégico devido à pressão de alguns de seus aliados políticos, especialmente no parlamento, porque a pandemia está fora de controle”, disse Monteiro à agência de notícias AFP.

Essa pressão aumentou desde que um juiz do Supremo Tribunal Federal anulou, na semana passada, as condenações por corrupção contra o ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, abrindo a porta para que ele concorra às eleições presidenciais no ano que vem.

Lula, que recebeu uma injeção de COVID-19 no fim de semana, criticou o Bolsonaro pelo aumento de mortes e infecções relacionadas ao coronavírus.

“Não sigam esse imbecil”, disse ele a seus apoiadores na semana passada.

Uma pesquisa recente mostrou que 61 por cento dos brasileiros desaprovam a forma como Bolsonaro está lidando com a crise, disse a AFP.

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