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Promovendo os laços com os EUA, o escritório de Bolsonaro lança carta de Biden sobre clima e pandemia

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, escreveu ao brasileiro Jair Bolsonaro no mês passado, destacando oportunidades para trabalharmos juntos na pandemia e no meio ambiente antes da conferência climática COP26 das Nações Unidas, disse o gabinete do presidente brasileiro na quinta-feira.

Na carta de 26 de fevereiro, confirmada por uma autoridade norte-americana, Biden disse que seu governo está disposto a trabalhar em estreita colaboração com o Brasil em um novo capítulo das relações bilaterais, acrescentando que não há limites para o que as nações podem alcançar juntas, de acordo com o gabinete do presidente brasileiro.

Não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre por que esperou três semanas para divulgar a carta, que veio um dia após o nêmesis de Bolsonaro, o ex-presidente esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva, usar uma entrevista de destaque na CNN para chamar Biden para obter ajuda na obtenção de vacinas para acabar com o surto de coronavírus no Brasil.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações por corrupção de Lula, revogando a eleição presidencial de 2022 e preparando um provável confronto entre Lula e Bolsonaro.

Bolsonaro rejeitou o coronavírus e as vacinas, mas enfrenta uma pressão crescente com o número de infecções e mortes atingindo níveis recordes no Brasil.

Mas o foco de Lula em medidas para acabar com a pandemia e apoiar a economia devastada do Brasil em um discurso na semana passada atraiu uma resposta rápida de Bolsonaro – ele e seus assessores fizeram uma rara aparição usando máscaras em um evento oficial em Brasília.

Na sexta-feira, Bolsonaro convocou um cardiologista para se tornar seu quarto ministro da saúde durante a pandemia, após meses de críticas ao ativo general do Exército atualmente no cargo.

A eleição do ano passado nos Estados Unidos representou um grande revés internacional para Bolsonaro, que idolatrava o antecessor de Biden, Donald Trump, e buscava estreitar os laços com seu governo.

O foco de Biden no meio ambiente e nos direitos humanos pode representar um desafio para Bolsonaro, um ex-capitão do exército de extrema direita que presidiu a destruição cada vez maior da floresta amazônica e pressionou para reverter a proteção das terras indígenas.

Na entrevista, Lula chegou a chamar Biden de “sonho de um novo respiro para a democracia” e disse buscar interlocução com o presidente norte-americano porque não confia no governo brasileiro.

Entretanto, sem mencionar os motivos para que a carta fosse divulgada agora, a Secom disse que presidente norte-americano enviou o texto a Bolsonaro em agradecimento aos cumprimentos enviados pela Presidência da República após a ratificação do democrata como presidente eleito dos Estados Unidos.

Na época, o presidente Bolsonaro encampou o discurso de apoiadores do ex-presidente Donald Trump sobre fraudes nas eleições americanas e chegou ele próprio a declarar, sem apresentar provas, que o pleito presidencial nos Estados Unidos havia sido fraudado.

Em meio à crise que culminou na invasão do Capitólio por manifestantes pró-Trump, Bolsonaro disse que o mesmo poderia acontecer no Brasil se o voto impresso não fosse adotado nas eleições de 2022.

Desde então, o presidente se distanciou das relações diplomáticas estreitas com o governo dos Estados Unidos. Poucos dias após Biden ser eleito, Bolsonaro ameaçou usar “pólvora” caso a diplomacia se esgotasse.

“Assistimos há pouco um grande candidato à chefia de estado dizer que se não apagar o fogo da Amazônia, vai levantar barreira comercial contra o Brasil”, disse Bolsonaro, em novembro de 2020. “Apenas diplomacia não dá. Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora. Senão não funciona”.

Ainda segundo a nota da Secom, “o presidente Biden sublinhou que não há limites para o que o Brasil e os EUA podem conquistar juntos”. O informe finaliza dizendo que “Biden salientou que seu governo está pronto para trabalhar em estreita colaboração com o Governo brasileiro neste novo capítulo da relação bilateral”.

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