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Promotores pedem ao tribunal que remova os administradores da Vale por questões de segurança

Os promotores federais do estado de Minas Gerais estão buscando uma ordem judicial para que a mineradora Vale SA substitua executivos que eles acusam de desconsiderar os procedimentos de segurança após dois desastres fatais de mineração.

Eles pediram a um tribunal de Minas Gerais que nomeasse um interventor para assumir o programa de segurança da Vale, de acordo com um comunicado  do Ministério Público.

Os promotores também pediram que todos os pagamentos de dividendos fossem suspensos até que o interventor confirmasse a cooperação da Vale.

A Vale planeja retomar os pagamentos no próximo mês, que a Fitch estima que chegará a mais de US $ 2 bilhões para o ano.

O pedido está sujeito à aprovação do tribunal, as ações da Vale caíram 3,5% logo após o meio-dia após o anúncio, em curso para sua maior queda diária em quatro meses.

A Vale disse em nota que não foi formalmente notificada e responderá no tribunal quando for, acrescentando que tomou conhecimento dos acontecimentos por meio da mídia.

Os promotores disseram que querem que o interventor identifique dentro de 15 dias os gerentes executivos e outros membros da alta administração que devem ser substituídos em uma reforma corporativa.

O interventor será encarregado de elaborar um plano para remodelar o sistema de governança da Vale para cumprir os padrões internacionais de prevenção de desastres, disseram os promotores.

O sistema de governança usado pela mineradora tem gerado grandes danos à sociedade e ao meio ambiente, afirmaram os promotores.

A chamada força-tarefa Brumadinho de promotores foi criada após um desastre em janeiro de 2019 em uma mina da Vale, onde uma barragem rompeu, matando 270 pessoas.

O rompimento de uma barragem anterior ocorreu em 2015 em uma mina em Mariana de propriedade conjunta da Vale e BHP Group Ltd causando o pior desastre ambiental do Brasil.

Os procuradores disseram que, ao contrário do que afirma a Vale e dos dados que divulga, desenvolveu uma cultura interna que não consegue reconhecer as ameaças à segurança.

A empresa atua com “irresponsabilidade corporativa”, afirmam, e precisa de uma remodelação para mudar sua cultura e começar a tomar medidas de segurança.

No início da quarta-feira (02), a Vale disse que colocou em guarda três barragens e três diques após não cumprir os requisitos de segurança durante as revisões regulares de auditores terceirizados.

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