Óleo e Gás

Produção de etanol registra queda de 30pc no Centro-Sul

Etanol

A produção de etanol no Centro-Sul caiu 30pc na segunda quinzena de outubro em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a moagem de cana-de-açúcar chega ao fim na principal região produtora do país.

Segundo dados divulgados hoje pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), os produtores de cana-de-açúcar da região forneceram 1,05 milhão de m³ de etanol na primeira metade de outubro, ante 1,51 milhão de m³ do ano anterior.

A produção de etanol hidratado representou 527.000m³ do total, queda de 39pc na base anual. Já o etanol anidro alcançou 526.000m³, queda de 17pc em relação ao mesmo período do ano passado. A produção de etanol no acumulado da safra 2021-22, entre 1 de abril e 1 de novembro, alcançou até agora um total de 25,09 milhões de m³, 7,5pc abaixo do mesmo período do último ano.

A quantidade de cana-de-açúcar processada no Centro-Sul alcançou 17,02 milhões de t na segunda quinzena de outubro, retração de 36pc na comparação anual. A moagem acumulada desde 1 de abril chegou a 504,41 milhões de t, queda de 10pc ante 2020.

Segundo a Unica, a queda geral na produção pode ser creditada à escassez contínua de matéria-prima disponível para processamento, bem como o fato de dezenas de usinas terminarem a moagem da temporada muito mais cedo do que o normal.

O Brasil está enfrentando uma colheita ruim de cana por causa da perda de produtividade causada por condições climáticas desfavoráveis que danificaram gravemente as lavouras na região Centro-Sul, que se estende do Mato Grosso ao Paraná.

Em condições normais, a colheita da cana-de-açúcar no Centro-Sul termina em meados de novembro, mas 128 usinas já pararam de processar a matéria-prima do ciclo 2021-22, enquanto outras 87 devem encerrar atividades neste início deste mês.

As unidades que encerraram a safra até a segunda quinzena de outubro tiveram 18pc de redução na moagem em relação à temporada anterior, segundo a Unica. Por esse motivo, alguns produtores estão favorecendo o anidro e o açúcar no mix produtivo para honrar contratos. Já outras usinas estão reprocessando o hidratado em anidro.

“As unidades produtoras seguem priorizando a fabricação de etanol anidro em função do compromisso para com a mistura obrigatória”, disse o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues. “Para tanto, dada a limitação da matéria-prima disponível, as empresas têm aumentado a participação do biocombustível no seu mix de produção.”

Vendas de etanol

As vendas do biocombustível na principal região produtora do Brasil alcançaram 2,14 milhões de m³ em outubro, queda de 29pc na base anual e 31pc abaixo do mesmo período de 2019. Deste total, 67.146m³ foram exportados, queda de 81pc na base anual.

Já no mercado interno, as vendas de hidratado alcançaram 1,23 milhão de m³ na quinzena, 34pc a menos do que o registrado no mesmo período de 2020, enquanto o anidro teve alta de 5,2pc, para 842.674m³.

A Unica atribui a queda nas vendas de hidratado à perda de competitividade do combustível em relação a gasolina, já que a oferta escassa fez os preços dispararem nos últimos meses.

“As vendas dos produtores no mês de outubro refletem o reajuste do mercado de combustíveis diante das condições de oferta e preços”, disse Rodrigues. “No caso do etanol anidro, os níveis de estoque e produção oferecem garantia ao abastecimento mesmo nos meses em que não ocorrerá processamento de cana.”

O volume acumulado desde o início da safra 2021-22 de etanol comercializado pelas usinas do Centro-Sul caiu 5pc se comparado aos números do ciclo anterior, com 16,90 milhões de m³. Deste total, 993.474m³ foram exportados, queda de 44pc no ano.

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