Economia

PIB do Brasil encolherá 4% neste ano, economia em ‘ponto de inflexão’

O Brasil está em um “ponto de inflexão” onde menos gastos públicos em vez de mais proporcionarão um crescimento econômico mais forte, disse o presidente do banco central, Roberto Campos Neto, na segunda-feira (19), alertando que as preocupações fiscais estão prejudicando as condições financeiras e de investimento.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também disse na segunda-feira (19), que os gastos “transitórios” não devem se transformar em gastos permanentes “imperdoáveis” nos próximos anos, acrescentando que a economia deve encolher menos do que o esperado 4% este ano.

Em um evento online organizado pelo Milken Institute, Campos Neto disse que o Brasil está sendo penalizado pelos mercados financeiros pelas perspectivas fiscais incertas após gastos sem precedentes neste ano para amortecer o impacto econômico da pandemia COVID-19.

“Estamos em um ponto de inflexão de que, se gastarmos mais dinheiro, o custo em credibilidade vindo do lado fiscal é muito maior do que o benefício dos gastos em si”, disse Campos Neto.

“Se você quer induzir o crescimento, é melhor gastar menos do que gastar mais porque estamos sendo penalizados pelos mercados”, disse ele, referindo-se à crescente lacuna nos últimos meses entre as taxas de juros do mercado de curto e longo prazo.

Este “aumento” da curva reflete a inquietação do investidor quanto à capacidade ou disposição do governo de controlar sua dívida e déficit recordes e, de acordo com Campos Neto, está retendo o investimento do setor privado.

O banco central reduziu sua taxa básica de juros Selic para uma baixa recorde de 2,00%. Campos Neto disse que as decisões futuras dependerão das condições econômicas, mas disse que a credibilidade na política do banco é crucial para achatar a curva e estimular o investimento.

“É importante ter credibilidade para que o que a gente faça com a Selic tenha um canal de transmissão que alimente a ponta longa das taxas para que os projetos (de investimento) possam ser feitos com dinheiro privado”, disse.

Por sua vez, Guedes disse que a recuperação do pior da pandemia mostra que a economia vai encolher 4% este ano, o que seria menos do que a previsão oficial do governo de queda de 4,7%.

Dirigindo-se ao “2020 U.S.-Brazil Connect Summit” online hospedado pela Câmara de Comércio dos EUA, ele disse que a disciplina fiscal será retomada no próximo ano e que o “teto de gastos” do governo que limita o crescimento dos gastos públicos à taxa de inflação será mantido intacto.

Será uma “grande luta”, porém, alertou.

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