Economia

PIB brasileiro deve crescer 0,2% no 2º trimestre

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Industry and agriculture are feeling negative shocks — Foto: Luiz Henrique Mendes/Valor

Industry and agriculture are feeling negative shocks — Foto: Luiz Henrique Mendes/Valor

A relativa estabilidade esperada para a economia brasileira no segundo trimestre deste ano reflete a heterogeneidade da dinâmica do setor no Brasil, com a indústria e a agricultura sofrendo choques negativos, enquanto os serviços se beneficiam da reabertura dos negócios. Prevê-se que estes movimentos continuem ao longo do segundo semestre, que, apesar de representar uma continuidade na recuperação, não está isenta de riscos já mais evidentes para 2022, como o agravamento das condições financeiras e a crise hídrica.

A mediana das projeções de 61 consultorias e financeiras consultadas pelo Valor aponta aumento de 0,2% no PIB entre abril e junho de 2021 na comparação com o primeiro trimestre, quando a atividade surpreendeu e cresceu 1,2%. Na comparação com igual período de 2020, o crescimento esperado é de 12,8% devido à baixa base de comparação. Os dados oficiais das Contas Nacionais serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 1º de setembro. Para 2021, a expectativa é de aumento de 5,3%.

As estimativas para o PIB do segundo trimestre variam de queda de 0,3% a alta de 0,8%. A consultoria Tendências revisou recentemente sua projeção de 0,1% para -0,1%, em termos dessazonalizados, mas manteve a avaliação de que será um patamar relativamente estável, resultado de comportamentos bastante distintos entre os componentes do PIB.

Pelo lado da oferta, a agropecuária e a indústria devem mostrar retrações de 2,5% e 1,5%, respectivamente, após altas de 5,7% e 0,7%, respectivamente, no primeiro trimestre. Os serviços, por outro lado, devem acelerar de 0,4% para 0,9%.

A Tendências observa que a queda esperada para a agricultura deve ser mais intensa do que o inicialmente previsto, com efeitos climáticos prejudicando principalmente a safra de milho. A indústria, por sua vez, vive um momento delicado, com a desorganização das cadeias globais restringindo insumos e pressionando preços, problemas intensificados no Brasil pelo aumento do custo da energia e pela revisão para cima das taxas de juros.

O desempenho da indústria seria pior se não fossem os segmentos extrativo e de construção, destaca Lucas Maynard, economista do banco Santander, que projeta alta de 0,2% no PIB do segundo trimestre, mas queda de 2% na indústria, na série com ajuste sazonal . Embora a construção civil mostre “resiliência”, diz ele, a indústria extrativa pode não manter o mesmo ritmo no segundo semestre, embora deva continuar contribuindo positivamente para o setor como um todo.

“Os indicadores antecedentes [do terceiro trimestre] e notícias do setor indicam uma perda de força do setor. Esse é um dos motivos para que nossa projeção de PIB [em 2021] fique mais próxima de 5% do que de 6% ”, afirma Thiago Xavier, economista da Tendências.

No caso dos serviços, o segundo trimestre representou apenas o início de um processo de recuperação mais consistente após a segunda vaga da Covid-19, que levantou medidas de restrição social entre março e abril. “As taxas de circulação caíram, mas voltaram rápido”, disse Igor Velecico, economista-chefe da Gênova Capital, que projeta crescimento de quase 1% para os serviços, em relação ao primeiro trimestre, e alta de 0,3% do PIB entre abril e junho.

Boa parte dos efeitos da reabertura da economia, refletida justamente nos serviços, será capturada já a partir do terceiro trimestre, afirma Flavio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos. Ele vê avanço de apenas 0,1% para o PIB no segundo trimestre, mas alta de 0,7% no terceiro. Velecico estima que cerca de 1,5 ponto percentual de recuperação econômica ainda deve aparecer no PIB no segundo semestre. “O segundo trimestre foi apenas o começo desse processo.”

Do lado da demanda, a mediana da expectativa dos analistas é de que o consumo das famílias avance 1,2% no segundo trimestre e o consumo do governo 0,8%, ante quedas de 0,1% e 0,8% nos três meses imediatamente anteriores. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – medida de quanto é investido em máquinas e equipamentos, construção civil e pesquisa -, que cresceu 4,6% no primeiro trimestre, deve recuar 2,2% no trimestre seguinte, em meio às incertezas com a pandemia no período.

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