Economia

Petrobras e Novonor vão vender R$ 32 bilhões de participação na Braskem

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Há duas semanas, Novonor, ex-Odebrecht, confirmou o plano de vender ações da Braskem em bolsa. A gigante do petróleo Petrobras, a segunda maior acionista da empresa petroquímica, agora diz que fará o mesmo.

A preços correntes, as ofertas secundárias de venda da participação total dos sócios na empresa totalizariam R $ 32 bilhões – R $ 16,5 bilhões para a participação de 38,4% da Novonor e R $ 15,5 bilhões para a participação de 36,15% da Petrobras.

A mudança da Petrobras já era esperada depois que a Novonor revelou sua intenção de vender ações em bolsa e levar a Braskem ao Novo Mercado, o segmento de governança mais rígido do B3. A confirmação anunciada quinta-feira dependeu de medidas de governança, incluindo aprovação do conselho de administração da gigante do petróleo, e ajustes no acordo de acionistas da petroquímica, como o que extingue o direito de preferência da Braskem sobre novos negócios no setor.

Como parte do acordo, Novonor e Petrobras assinaram um adendo ao atual acordo de acionistas. Esse ajuste permite que a estatal execute novos projetos petroquímicos sem a Braskem.

Ou seja, a preferência da Braskem pelas matérias-primas da Petrobras tem prazo para acabar. Este direito será extinto em 31 de outubro de 2024, ou quando for encerrado o acordo de acionistas firmado entre a Novonor e a Petrobras em decorrência da pretendida migração da Braskem para o Novo Mercado.

O desinvestimento da Novonor e da Petrobras parece oficial após os recentes anúncios: oferta de ações preferenciais prevista para ocorrer no primeiro trimestre, seguida de oferta de ações ordinárias após a migração da Braskem para o Novo Mercado – o que também deve ocorrer em alguns meses.

A movimentação da bolsa dependerá das condições favoráveis ​​do mercado de capitais. O Brasil realizará eleições em outubro, e a janela para ofertas de ações geralmente fecha no terceiro trimestre em anos eleitorais.

Os fundos institucionais, especialmente aqueles que já têm participações minoritárias na petroquímica, devem participar da oferta secundária, disseram fontes a par do assunto. “Eles provavelmente aumentarão suas participações com a oferta secundária”, disse uma pessoa familiarizada com o assunto, que falou sob condição de anonimato.

O Valor informou em setembro que a Novonor apresentou aos bancos credores o plano de vender suas ações preferenciais e ordinárias em mais de uma oferta secundária no B3, uma medida então esperada a ser seguida pela Petrobras.

A estatal informou quinta-feira que seu conselho aprovou o modelo de venda de até 100% das ações preferenciais que detém na Braskem em oferta secundária, em parceria com a Novonor. Também confirmou um acordo que estabelece as diretrizes para a migração da petroquímica para o Novo Mercado.

O acordo Petrobras-Novonor impulsiona a estruturação da venda em bolsa, disse uma fonte.

Os planos de venda de ações em bolsa ganharam fôlego depois que a busca por um comprador para a petroquímica não conseguiu traçar uma proposta atraente. O Morgan Stanley, com mandato da Novonor, procurava um ou mais compradores, mas o esforço não trouxe o resultado esperado.

Ao mesmo tempo, a Petrobras contratou o JP Morgan para assessorá-la na venda de sua participação na Braskem e já havia sinalizado que estava em busca de uma solução semelhante à que fez com a antiga BR (hoje Vibra Energia), com mais de uma mudança na bolsa de valores.

Fontes próximas dos credores da Novonor disseram ao Valor que a venda em bolsa é a melhor alternativa, já que não houve proposta firme de compra do grupo como um todo, apenas em fatias. O desinvestimento está previsto no plano de recuperação judicial da Novonor. A participação da empresa na Braskem foi dada em garantia aos bancos credores, que têm cerca de R $ 14 bilhões a receber da empresa.

A Braskem, maior produtora de resinas das Américas, deve encerrar 2021 com números recordes e deverá pagar no dia 20 de dezembro R $ 6 bilhões em dividendos, referentes ao ano corrente. A empresa caminha para atingir o recorde histórico de receita líquida anual de R $ 100 bilhões, quase o dobro do verificado em 2019 e 71% maior do que em 2020. O valor de mercado da empresa é de cerca de R $ 43 bilhões.

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