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Petrobras deve se beneficiar com alta do preço do petróleo no 3T

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Impulsionada pela alta dos preços do petróleo no mercado internacional, a Petrobras deve apresentar novamente um balanço financeiro trimestral robusto na quinta-feira, quando divulgar os resultados do terceiro trimestre. A expectativa é que a empresa apresente maiores receitas operacionais e geração de caixa. Depois que a petroleira anunciou, em agosto, a distribuição antecipada de US $ 6 bilhões aos acionistas, referente a 2021, não será surpresa se fizer um novo anúncio desse tipo.

O Goldman Sachs acredita que a Petrobras apresentará novamente um forte fluxo de caixa livre no terceiro trimestre e que isso abrirá espaço para a empresa pagar até US $ 5 bilhões em dividendos adicionais, sem comprometer a meta de redução da dívida. A petroleira encerrou o segundo trimestre com dívida bruta de US $ 63,7 bilhões, pouco acima da meta de US $ 60 bilhões, que funciona como um gatilho para a nova fórmula de remuneração ao acionista – que prevê a distribuição de 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e investimentos.

A expectativa é que a empresa se beneficie da alta dos preços do petróleo no terceiro trimestre, quando o barril do Brent foi negociado, em média, a US $ 72. Para efeito de comparação, no mesmo período de 2020, o preço médio era de US $ 44, enquanto no segundo trimestre o preço internacional da commodity era de US $ 69.

Com isso, a expectativa é de que a receita líquida da Petrobras salte 74% ano contra ano e cresça 11,2% em relação ao segundo trimestre de 2021, para R $ 123,1 bilhões, segundo a média das projeções de quatro empresas ouvidas pelo Valor (Ativa Investimentos, BTG Pactual, Credit Suisse e Goldman Sachs).

No caso do EBITDA, que mede a capacidade de geração de caixa operacional, a média das projeções é de R $ 63 bilhões para o terceiro trimestre. O número significa um crescimento de 88,4% na comparação anual e de 1,7% em relação ao segundo trimestre.

De acordo com o Safra, o resultado financeiro será beneficiado pelos maiores preços do petróleo e derivados e também pela maior utilização das refinarias no trimestre. O crescimento nas vendas de combustíveis deve ajudar a compensar a produção mais fraca de óleo e gás, que caiu 4,1% ano a ano, para 2,83 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

As projeções de lucro líquido para os meses de julho a setembro variam de R $ 11,2 bilhões (Crédito) a R $ 24,6 bilhões (Ativo). O resultado real depende muito dos efeitos não recorrentes calculados, o que torna a projeção de lucros uma tarefa difícil para os analistas.

A média das projeções é de R $ 18,27 bilhões, o que significaria uma reversão do prejuízo de R $ 1,5 bilhão apurado no terceiro trimestre de 2020. Na comparação com o segundo trimestre de 2021, porém, a média das projeções representa 57% contração.

O crédito ressalta que o caixa da Petrobras no terceiro trimestre será positivamente impactado pelo dinheiro arrecadado com a venda do restante da BR Distribuidora (atual Vibra Energia), por US $ 2,2 bilhões, e pela assinatura do acordo de coparticipação com o As chinesas CNODC e CNOOC referentes ao pré-sal do projeto Búzios, que garantiram US $ 2,9 bilhões em compensação financeira à petroleira brasileira.

Por outro lado, o caixa será impactado negativamente pelo pagamento da primeira parcela dos dividendos antecipados, de R $ 4,1 bilhões; o resgate antecipado de títulos no valor de US $ 1,3 bilhão em setembro; e a quitação do termo de compromisso com a Petros, de R $ 250 milhões. O Credit Suisse também espera que a dívida da petroleira brasileira seja negativamente impactada pelo início das operações de uma plataforma em Sépia.

O Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo (Ineep) disse que o resultado positivo da Petrobras será puxado pelo mercado interno. Do lado das despesas, o instituto menciona que a desvalorização do real impactará negativamente o endividamento e o resultado financeiro como um todo.

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