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Petrobras amplia planos de expansão upstream

A estatal brasileira Petrobras está se afastando da filosofia de corte de custos que moldou suas perspectivas de investimento nos últimos cinco anos, em resposta aos preços mais altos do petróleo e níveis mais baixos de dívida.

Em meio a uma enxurrada de ataques da classe política brasileira, a empresa manteve a compostura enquanto defende sua política de preços de combustível baseada no mercado e divulga notícias de grandes mudanças upstream. A busca do presidente Jair Bolsonaro por um culpado conveniente pelos altos preços dos combustíveis recentemente custou ao ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque seu emprego, mas, até agora, não parece ter afastado a Petrobras de sua estratégia de investimento mais realista.

O lucro de US$ 8,6 bilhões da empresa no primeiro trimestre, impulsionado pelos preços mais altos do Brent e pela melhoria da eficiência operacional, deveria ter sido motivo de aplauso do acionista controlador da Petrobras, o governo federal. Em vez disso, foi comparado a um “estupro” por Bolsonaro, que está enfrentando uma reação dos eleitores por causa dos altos preços na bomba antes de uma eleição presidencial em outubro. A Petrobras insiste que o lucro foi impulsionado pela demanda por petróleo do pré-sal e não por margens carnudas nas vendas de combustível, e que o governo colhe os benefícios de seus preços de combustível baseados no mercado na forma de impostos e dividendos – um argumento que não amenizou Brasília.

O novo presidente-executivo da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, deixou claro a intenção da empresa de manter o princípio da paridade de preços de importação, considerado essencial para manter as importações e os investimentos. Mas seu antecessor Joaquim Silva e Luna foi demitido em março por permitir aumentos de preços domésticos sob o mesmo princípio, e essa postura ainda pode custar a Ferreira Coelho sua posição.

A Petrobras flexionou sua independência com um aumento de 9pc no preço do diesel em 10 de maio, o primeiro reajuste em 60 dias. Horas depois desse aumento, Albuquerque foi substituído pelo economista Adolfo Sachsida, que, junto com o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, já iniciou estudos sobre a privatização da Petrobras e da estatal de comercialização do pré-sal PPSA – a promessa de Bolsonaro sempre que o combustível crises de preços. As vendas têm poucas chances de obter aprovação durante este ano eleitoral, ou provavelmente em qualquer ano, mas o processo foi iniciado.

A resistência é útil

O debate sobre os preços dos combustíveis e o que isso pode significar para o plano do Brasil de abrir seu segmento downstream eclipsou a forte posição upstream da Petrobras. Os teores médio-doce do pré-sal continuam sendo a peça central dos planos de crescimento da empresa, mas a Petrobras também mostrou um apetite renovado por ativos que até recentemente eram considerados os principais candidatos a desinvestimento. Nas últimas semanas, a empresa anunciou planos para manter seu controle acionário em campos de águas profundas na bacia de Sergipe-Alagoas, e deu a entender que o campo de Albacora, originalmente listado com o campo irmão Albacora Leste, também pode permanecer em seu portfólio de upstream. E a empresa detalhou neste mês seus planos de investir US$ 16 bilhões nos próximos cinco anos para conter o declínio natural nos campos do pós-sal na antiga bacia de Campos.

Executivos locais de petróleo dizem que a onda de desinvestimentos upstream que ajudou a Petrobras a domar sua pesada carga de dívida parece estar quebrando. A retomada de grandes projetos de upstream e o crescimento de indústrias associadas à criação de empregos provavelmente serão alardeados pelos políticos. Os campos gigantes do pré-sal da bacia de Santos produzem produção de baixo custo e menor intensidade de carbono, portanto, permanece a questão se o aumento do desenvolvimento fora dessa região central interferirá nas modestas metas de redução de emissões a montante da Petrobras. Viviana Coelho, gerente executiva de mudanças climáticas da Petrobras, diz que não, pois grande parte do plano de redução de emissões da empresa já está relacionado à tecnologia de captura de carbono que também pode ser implantada em reservatórios do pós-sal.

 

Petrobras results $ bilhões
1T22 1T21 % de variação 22/21
Lucro 8.605 0.180 4,681
Lucro upstream 7.955 3.925 103
Lucro a jusante 1.987 1.255 58
Produção bruta* (‘000 b/d) 2,231 2,196 2
Produção do pré-sal 1,682 1,567 7
Produção pós-sal/onshore 549 629 -13
Exportações de petróleo (‘000 b/d) 543 511 6
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