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Petrobras: a privatização é a melhor forma de transição?

Mesmo com a queda do dólar, a economia brasileira não parece estar indo bem. Todas as pesquisas mostram que a população culpa diretamente o Executivo, no caso de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes , quando a situação aperta em nossos bolsos. Que Paulo Guedes defenda a privatização da Petrobras não é novidade.

Ele mesmo já expressou publicamente essa ideia várias vezes e, sendo um neoliberal, da escola de Chicago, isso se torna ainda mais esperado. Quer dizer, a principal palavra de ordem que emerge dessa forma de pensamento econômico é justamente “privatização”.

 O aparelho de Estado, para neoliberais como Paulo Guedes, é um inimigo a ser combatido. Mas uma coisa é expressar razões coerentes para qualquer tipo de privatização, e outra é não ter nenhum significado no “porquê” da privatização.

Guedes , chefe do Ministério da Economia, fez uma declaração recente de que é necessário privatizar a Petrobras por causa da guerra na Ucrânia. O elo que liga a Petrobras à guerra, para ele, é que a privatização se faz necessária para capitalizar a empresa (na verdade, não só a Petrobras, mas também a Eletrobrás).

A empresa estaria captando recursos que o Estado não pode mais fornecer, como se a Petrobras, sendo uma empresa estatal, não produzisse seus recursos sozinha. Assim, esses recursos seriam necessários para realizar a transição da matriz energética atual, cada vez mais obsoleta, para uma matriz energética mais atualizada para os dias em que vivemos.

Isso porque o mundo inteiro já está nessa transição para se livrar do gás e do petróleo, como forma de se livrar dos russos (como apontei em um texto anterior). Para que essa transição ocorresse, seria necessária uma alta capitalização, que somente a privatização da empresa poderia cobrir.

Acontece que para capitalizar uma empresa, ela não precisa necessariamente ser privatizada. Ainda mais quando se trata de uma empresa que não gera perdas – é o caso da Eletrobrás. Pelo contrário, esta empresa gera lucros. Uma empresa de alta tecnologia que compete internacionalmente.

Essa empresa não só se mantém, mas também mantém o Brasil . Vale lembrar que o diretor da empresa, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro , recebe apenas R$ 260 mil reais por mês. Um salário muito baixo…

A iniciativa privada distribui ações para acionistas que buscam lucro imediato e não a longo prazo. Até porque não economizam esse dinheiro, nem gastam curtindo a vida. Eles reinvestem. A participação no mercado financeiro é quase imediata, e o ciclo não termina.

Assim, para o setor privado, a execução de programas de médio e longo prazo torna-se complicada. A menos que seja uma empresa de private equity desde o início. É o caso de empresas oriundas de famílias tradicionais, por exemplo, que, ao entrar no mercado de ações, mantêm certa tradição de planejamento para o futuro.

Quando uma empresa é estatal, ela só faz um programa para o futuro de acordo com o programa futuro do próprio governo .

Então, para passar por essa transição, o mais coerente é o governo ter essa ideia em seu programa político-econômico, sendo o Estado o maior acionista (40%), e então direcionar a empresa para isso.

Ogrande problema é a política equivocada da Petrobras, com uma administração federal incompetente por muito tempo. A Câmara dos Deputados votando um valor de imposto único, como fez em 2021, ou o Executivo zerando esse imposto, é muito estranho à Constituição.

O Brasil se caracteriza como uma república federativa, e a coisa é o imposto que os estados determinam o valor. A Petrobras tem que ser gerida com o objetivo central de subsidiar os trabalhadores, os mais pobres .

Hoje, a realidade do Brasil inflado é de gente cozinhando com lenha, por conta do alto preço do gás . Deve-se notar que a queima de biomassa é a terceira principal causa de câncer de pulmão. Ou seja, além de um terrível problema econômico, gera um problema de saúde pública .

No caso do diesel, afeta diretamente o custo do transporte e, consequentemente, dos alimentos. Obviamente, a popularidade do presidente cai. Para as pessoas isso é simples: eu voto a favor ou contra quem está me prejudicando ou me beneficiando.

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