Economia

Para o Banco Itaú, 2021 foi um “ano espetacular”

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O presidente do Itaú BBA, Flávio Souza, começa a perceber uma desaceleração em algumas atividades por conta da inflação e do aumento das taxas de juros. Apesar disso, diz que 2021 foi um “ano espetacular” para o banco e vê oportunidades para o próximo, apesar do contexto mais difícil.

“É natural que haja uma acomodação. Há redução de intensidade em algumas atividades ”, disse o executivo ao Valor, em sua primeira entrevista desde que assumiu, em fevereiro. “O ano termina com um cenário mais desafiador, mas continuamos investindo.”

Voltado para empresas de médio e grande porte, o Itaú BBA deve encerrar dezembro com cerca de R $ 400 bilhões em carteira de crédito. O volume representa um crescimento anual de 12% a 13% – metade do ritmo relatado em 2020, quando todos “encheram o tanque” para enfrentar as incertezas da pandemia, mas em um nível “muito satisfatório”, segundo o executivo.

Além de um mercado de crédito ainda aquecido, o mercado de capitais também apresentou forte recuperação neste ano. Somente em ofertas de ações, as empresas brasileiras levantaram R $ 135 bilhões até agora. Das 76 transações realizadas, o Itaú BBA participou de 59, arrecadando R $ 21 bilhões. “Estamos em semanas de muito estresse, mas o ano é espetacular.” Ele acredita que as empresas podem arrecadar até R $ 150 bilhões neste ano.

No ano passado, as empresas arrecadaram R $ 127 bilhões por meio de 56 IPOs e ofertas secundárias.

Para 2022, ele evita fazer estimativas, já que os anos eleitorais são historicamente mais fracos. O horizonte ficou mais nublado nos últimos dias com as notícias sobre a variante omicron do coronavírus, o que, segundo Souza, “preocupa e reforça a importância da vacinação mundial”. Mesmo assim, ele vê empresas levantando entre R $ 80 bilhões e R $ 100 bilhões no mercado de capitais.

Neste ano, o Itaú BBA iniciou a estruturação da área de negócios ESG, que trata de práticas ambientais, sociais e de governança. Um extenso questionário foi enviado a 1.300 empresas para mapear seu engajamento. “Ainda não é possível dizer se as empresas estão realmente preparadas [para a agenda ESG]. O que vejo como diferente é que o tema entrou para sempre na estratégia da empresa ”, afirma Souza.

Essa área do banco começou com quatro pessoas e agora tem onze – e deve se expandir ainda mais. Segundo ele, boa parte das empresas vai concretizá-lo, do ponto de vista dos negócios no mercado de capitais.

Outra área de negócios do banco que avançou é o agronegócio. Quando foi estruturado, em 2018, o BBA contava com 30 executivos designados para o setor. “Em 2021, teremos 300 pessoas na operação.” A carteira de crédito do setor cresceu 60% neste ano.

Apesar da recuperação mais lenta e da crise provocada pela pandemia, Souza afirma não ver neste momento empresas com saúde financeira sob forte risco, em comparação aos anos de 2015 e 2016, marcados pela recessão.

“O desempenho da carteira de crédito é muito saudável. Por enquanto, vemos uma boa qualidade do portfólio. É claro que a taxa de juros e o ambiente de alta inflação impactam a renda disponível, e podemos ver menos consumo afetado pela renda. ”

Segundo ele, esse efeito, se de fato acontecer, começará a impactar pessoas físicas e, mais à frente, empresas. “Passamos de uma taxa de câmbio de R $ 3,50 para R $ 5,60 [por dólar]. Mas percebemos que as empresas estão fazendo seu dever de casa. ”

Com a crise da saúde, que atinge fortemente as empresas desde o ano passado, Souza acredita que as operações de fusões e aquisições (F&A) devem seguir aquecidas nos próximos meses.

Até o momento, foram realizadas 251 operações, totalizando R $ 408 bilhões. Na comparação com todo o ano passado, as transações em volume cresceram 38,6% (em 2020 foram 181 operações) e mais que dobraram em valor (R $ 194 bilhões no ano passado). Líder também neste segmento, o Itaú BBA assessorou 42 operações.

O executivo do Itaú BBA vê o mercado de F&A aquecido, mas diz que a atividade também é sensível às eleições, assim como o mercado de capitais. Souza acha que ainda é cedo para se arriscar a adivinhar quem será eleito e vê o cenário ainda polarizado entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, há espaço para um terceiro candidato, mas acha que ainda é cedo para definir um nome com chances de se tornar mais competitivo.

O ideal, para ele, seria o compromisso de aprovar as agendas de reformas mais impactantes, como a administrativa e a tributária. “As reformas vão dar o tom para o cenário de juros baixos. Precisamos de previsibilidade. ”

O Sr. Souza, que está à frente do BBA há quase um ano, já começou a intensificar suas atividades presencialmente, mas tem respeitado os executivos que preferem trabalhar a distância. Para ele, na banca de investimento, o contacto face a face é muito importante para o cliente.

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