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Oferta da loja do Brasil na China para recrutar estagiários negros gera acusação tendenciosa

magazine luiza varejistas

A tentativa de um dos maiores varejistas do Brasil de combater as disparidades raciais em seus quadros de gestão gerou uma reação da defensoria pública federal do país, que acusou o Magazine Luiza SA MAGALU SA de discriminação.

O defensor público Jovino Bento Junior disse que a varejista baseava sua contratação “exclusivamente na cor da pele” e que isso seria discriminatório, segundo um documento, em 28 de setembro, no qual ele propõe ação contra a empresa.

Um grupo de 11 outros defensores públicos que se concentram em questões étnicas e raciais repudiou publicamente a reclamação de Bento.

No mês passado, a rede de lojas de departamentos e varejista na Internet lançou um programa de trainees com foco exclusivo no recrutamento de negros, dizendo que a mudança visava aumentar a diversidade em seus quadros executivos.

Questões de direitos civis no Brasil raramente provocaram protestos em massa como nos Estados Unidos, mas as estatísticas sociais mostram sinais generalizados de discriminação racial, sua grande população negra está sub-representada em empregos profissionais, ganhando cerca de 56% do que os brancos ganham, de acordo com o IBGE.

O Magazine Luiza está oferecendo um salário mensal de 6.600 reais, cerca de seis salários mínimos do país, além de benefícios como seguro saúde e odontológico, para um máximo de 20 candidatos que se formaram na faculdade entre 2017 e 2020.

“Todos os trabalhadores devem ter acesso ao mercado de trabalho em igualdade de oportunidades”, escreveu Bento, acrescentando que, embora alguma forma de ação afirmativa pudesse ser garantida, apenas algumas dessas vagas deveriam ser reservadas às minorias.

Bento expressou preocupação de que outras empresas possam seguir o exemplo do Magazine Luiza, limitando o “acesso a trabalho e renda” para candidatos não pertencentes a minorias, acrescentou, ele acusou a empresa de se concentrar em “marketing corporativo”.

O Magazine Luiza não quis comentar.

Na segunda-feira, a fundadora e presidente da rede, Luiza Trajano, disse em entrevista à TV que lançou o programa de trainees depois de perceber que a liderança da empresa era composta inteiramente por brasileiros brancos.

“A escravidão estava no Brasil há 350 anos, a maioria (da população) é negra, a maioria mora na periferia, esta é a verdade, então eles não se candidatam (para programas de trainees) ”, disse ela. “Quando percebi o que é racismo estrutural, até chorei.”

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