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Navio fabricado em Pernambuco volta para operar no porto de Suape

No meio de um crise que desestabilizou o funcionamento pleno dos grandes empreendimentos no Complexo Industrial Portuário de Suape, um simbolismo local reforça o movimento de que sobreviver nos tempos atuais é o objetivo. Um navio construído no Estaleiro Atlântico Sul (EAS) volta ao Porto de Suape dois anos depois de sair para a primeira missão oficial.

Nesta semana, o navio Dragão do Mar, o terceiro produzido do EAS, atracou para movimentar 117 mil toneladas de derivados de petróleo em operações da Transpetro, descarregando em outros navios e sendo abastecido pela produção da Refinaria Abreu e Lima (Rnest). Atualmente, o EAS tem encomendas em andamento, mas o calendário de novas construções está em aberto. Já a refinaria opera com menos da metade da capacidade total.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco e presidente de Suape, Thiago Norões, a atividade mostra que pontos estruturais implantados permanecem sólidos em tempos de condições adversas. “A indústria naval e o polo de refino sofrem em tempos de crise, mas não param ou fecham como vem ocorrendo em outros complexos industriais pelo Brasil. Temos gás para operar de forma mais robusta, mas é de se comemorar uma refinaria operando com a metade da capacidade ou um estaleiro que ainda emprega três mil pessoas. Estar em atividade média atualmente é bastante positivo”, ressalta.

Esta é a primeira vez que um navio construído em Suape volta ao porto onde foi construído. Conhecido pela tecnologia de ponta, o petroleiro do tipo suezmax Dragão do Mar – com dimensões que permitem passagem pelo Canal de Suez, chegou ao Píer de Granéis Líquidos 3B (PGL-3B) carregado com 57 mil toneladas de óleo diesel, provenientes do Porto de Itaquí, no Maranhão. O material foi descarregado em duas outras embarcações, os navios Torm Gertrud, que recebeu 36 mil toneladas da carga, e o Apostolos, com as outras 21 mil toneladas. As mercadorias terão como destino os Portos de La Teja, no Uruguai, e Doch Sud, na Argentina, respectivamente. A transferência de petróleo e derivados entre embarcações, conhecida como ship-to-ship, foi uma operação iniciada em Suape em novembro de 2013, mesmo período em que o Dragão do Mar estava sendo construído pelo EAS. As operações de transbordo entre o navio fabricado em Suape e as embarcações menores acontecem até hoje.

A próxima atracação do Dragão do Mar também acontecerá em Suape hoje, antes de seguir para o Porto de São Sebastião (SP). A embarcação será amarrada ao Píer de Granéis Líquidos 3A para receber 60 mil toneladas de óleo diesel S10.

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