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Morte de Beto Freitas, homem negro espancado por seguranças do Carrefour, gera protestos

Mais de 1.000 manifestantes atacaram um supermercado Carrefour na cidade de Porto Alegre, no sul do Brasil, na sexta-feira, depois que seguranças espancaram até a morte um homem negro na loja.

O assassinato, que gerou protestos em todo o Brasil, ocorreu na noite de quinta-feira (19), quando um funcionário de uma loja chamou a segurança depois que o homem ameaçou agredi-la.

Imagens amadoras do espancamento fatal e homenagens à vítima negra foram publicadas nas redes sociais. Foi identificado nas redes sociais pelo filho pelo nome de Beto Freitas.

Nas imagens mostram um guarda prendendo Freitas enquanto outro o acertava repetidamente no rosto, em frente a, pelo menos, 15 espectadores e um supervisor de supermercado que desencorajava as testemunhas a filmar a cena.

Outro clipe depois mostrou um guarda ajoelhado nas costas de Freitas por minutos no estacionamento da loja em Porto Alegre.

No sábado, um movimento político que apoiou o presidente conservador Jair Bolsonaro tuitou um vídeo que parecia ser do início do confronto, mostrando os dois guardas escoltando Freitas para fora da loja sem tocá-lo quando ele de repente socou um deles, e os dois então agarrou ele.

Ambos os guardas estão sob custódia provisória e enfrentam possíveis acusações de homicídio.

João Alberto Silveira Freitas, 40, pai de quatro filhos, foi sepultado ontem com camiseta branca na cidade de Porto Alegre. Seu caixão estava coberto com a bandeira de seu time de futebol favorito, o EC São José.

Manifestantes enfurecidos com a morte de Freitas pintaram vidas negras importam na calçada da Avenida Paulista, após uma série de protestos em todo o país, muitos deles em agências da rede de supermercados Carrefour.

Alguns protestos se tornaram violentos na noite de sexta-feira, com manifestantes quebrando vitrines de lojas em várias cidades.

As manifestações continuaram até domingo. Em uma delas a polícia militar usou spray de pimenta para dispersar manifestantes em frente a um supermercado na cidade de Recife.

Carrefour

Em um comunicado na sexta-feira (20), a unidade local do Carrefour SA na França disse que lamenta profundamente o que chamou de morte brutal e disse que imediatamente tomou medidas para garantir que os responsáveis ​​fossem legalmente punidos.

Ele disse que rescindiria o contrato com a empresa de segurança, demitiria o funcionário responsável pela loja no momento do incidente e fecharia a loja em sinal de respeito.

Numa série de tweets em português na noite de sexta-feira, o presidente e CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, disse que as imagens publicadas nas redes sociais eram “insuportáveis”.

“Medidas internas foram imediatamente implementadas pelo Carrefour Brasil, notadamente em relação à empresa de segurança envolvida. Essas medidas não vão longe o suficiente. Meus valores e os valores do Carrefour não permitem racismo e violência ”, disse Bompard.

Ele pediu uma revisão completa do treinamento de funcionários e subcontratados em valores de segurança, diversidade e tolerância.

“Pedi às equipes do Carrefour Brasil que cooperem plenamente com as autoridades judiciais para chegar ao fundo desta ação odiosa”, acrescentou.

 

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