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Ministro da Energia enfrenta batalha árdua para mudar preços da Petrobras

O recém-nomeado ministro de Minas e Energia do Brasil, Adolfo Sachsida, enfrentará resistência na Petrobras se pressionar para remover os custos de importação dos cálculos de preços de combustível da estatal de petróleo, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Sachsida apoiou a medida como forma de aliviar a pressão sobre os preços ao consumidor em meio a um aumento nos preços da energia, disseram fontes, mas a administração da Petrobras tem sérias preocupações em ignorar os custos de frete e seguro ao calcular a paridade global de preços.

O presidente Jair Bolsonaro criticou os lucros recordes da Petrobras em meio à inflação de dois dígitos, prejudicando suas chances de reeleição este ano, mas seus movimentos para substituir um funcionário após o outro tiveram pouco impacto na política de preços.

A Petróleo Brasileiro SA, como a estatal é formalmente conhecida, é responsável por mais de 80% da capacidade de refino do Brasil, mas de acordo com os estatutos da empresa, acompanha os custos globais de energia ao definir os preços dos combustíveis domésticos.

A Petrobras disse à Reuters em comunicado que incluir os custos de importação é “fundamental” para estabelecer preços competitivos no Brasil, um importador líquido de combustível, a fim de evitar subcotar importadores e desencadear escassez de combustível.

O Ministério de Minas e Energia não respondeu a um pedido de comentário.

Nomeado na semana passada para chefiar o ministério, depois que Bolsonaro demitiu o último ministro por um aumento no preço do diesel, Sachsida ainda não falou sobre medidas específicas para conter os preços dos combustíveis.

Em março, a Reuters informou que funcionários do Ministério da Economia, onde Sachsida trabalhava na época, estavam pressionando a Petrobras a retirar os custos de importação de seus cálculos de preços.

Duas fontes do governo, que falaram sob condição de anonimato, disseram que Sachsida apoia a medida. Mas quatro funcionários da Petrobras disseram à Reuters que a atual gestão não concorda com nenhuma modificação na fórmula de precificação do combustível.

“Inventar um cálculo diferente não muda o fato de sermos importadores de combustíveis. Os preços são definidos pelo mercado”, disse um deles, pedindo anonimato, já que as discussões são privadas.

Outra fonte disse que a ideia parece inviável porque tiraria os importadores de combustível do mercado nacional, que a Petrobras não pode fornecer inteiramente por conta própria.

Dois executivos da empresa disseram que qualquer decisão sobre uma nova fórmula de preços precisaria vir do conselho da empresa, que não deu sinais de que planeja mudar a política.

Embora Bolsonaro tenha tido poucos problemas para mudar o presidente-executivo da Petrobras, como fez em abril deste ano e no ano passado, tal mudança provavelmente exigiria a substituição do conselho em uma assembleia de acionistas, o que levaria pelo menos 40 dias.

De acordo com os estatutos da empresa, o CEO deve ser um membro do conselho.

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