Economia

Metrô de São Paulo estuda duas novas linhas

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O Metrô de São Paulo iniciou estudos para duas novas linhas na cidade de São Paulo. Os projetos encontram-se numa fase bastante preliminar, mas a ideia é prepará-los já com a previsão de projetos imobiliários ligados às estações e, assim, aumentar as receitas acessórias (não tarifárias), disse o CEO Silvani Pereira.

O primeiro projeto é a Linha 19-Azure, que deve ligar o centro de São Paulo à cidade de Guarulhos, com um percurso de 17,6 km e estimativa inicial de R $ 20 bilhões de investimentos necessários para a construção completa.

O projeto básico foi contratado recentemente e tem previsão de conclusão em 2023. Só então o governo de São Paulo definirá como o projeto será estruturado: se em concessão ou Parceria Público Privada, e se a construção ficará a cargo do governo ou uma empresa do setor privado.

O governo também contratou outro estudo para a Linha 19, que terá como foco específico a avaliação do potencial imobiliário das estações. “Queremos analisar o melhor modelo de exploração de receitas auxiliares, entender qual é a aptidão de cada uma das áreas, seja residencial, comercial, centro de convenções, shopping center”, disse Pereira.

Atualmente, o Metrô já possui estações com projetos desse tipo, como a estação Santa Cruz (zona sul) e o Tatuapé (zona leste) que estão integradas a shoppings. A ideia neste caso é estudar esses possíveis projetos antes de construir a linha, e fazer as obras já considerando esse potencial.

Hoje, as receitas auxiliares representam de 15% a 17% das receitas totais do Metro. A ideia é que essa participação chegue a 50%, segundo o executivo. No caso da Linha 19, porém, não há meta específica para essa porção.

A segunda obra avaliada pelo Metrô é a Linha 20-Rosa, que passaria pela Lapa (zona oeste da capital) e Vila Olímpia (zona sul), chegando à cidade de Santo André – obra considerada desafiadora pelos seus 30 km de extensão e pelo elevado volume de desapropriações necessárias.

No caso desta linha, o projeto está menos avançado. O governo acaba de assinar contrato para estudos de modelagem, que deve ser entregue em meados de 2022. O objetivo é avaliar novas formas de estruturar a concessão. “A ideia é usar a linha 20 para traçar um modelo inovador. Queremos ouvir o mercado para avaliar outros formatos de atração de investimentos, algo que pode até impactar outros projetos ”, disse Pereira.

Por exemplo, uma possibilidade levantada seria que os donos dos imóveis desapropriados pudessem se tornar sócios do projeto, por meio de fundos imobiliários.

O início da modelagem dos novos projetos ocorreu em meio a uma crise do Metrô, que, como todas as empresas do setor de mobilidade urbana, sofreu muito com a queda no tráfego de passageiros durante a pandemia. No auge das medidas de distanciamento social, a queda chegou a 80%. O indicador melhorou muito, mas continua prejudicado até hoje. Atualmente, o fluxo está aproximadamente 35% abaixo do nível anterior a março de 2020.

O Estado de São Paulo terá que cobrir uma lacuna de cerca de R $ 1 bilhão referente à operação do Metrô em 2021. Neste ano, porém, a expectativa é eliminar o prejuízo, segundo o executivo. A previsão é que, até o final de 2022, o movimento atinja 85% do volume, e que volte ao nível pré-pandêmico apenas em 2023, segundo Pereira.

Sobre o reajuste, que em São Paulo ainda não foi definido, ele diz que é uma decisão do governo e que, embora o impasse pressione o caixa da empresa, é preciso trabalhar com a realidade e tentar reduzir os custos de a operação.

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