Energia

Mercado de energia pode gerar R$ 6,3 bi em investimentos em 10 anos

solar atua energy

O mercado livre de energia, segmento em que consumidores com alta demanda negociam diretamente com geradoras e comercializadoras, pode gerar R$ 6,3 bilhões em investimentos em 10 anos para atrair clientes, mostra projeção da consultoria Thymos Energia feita a pedido do Valor.

O custo para as empresas atrair consumidores que querem migrar do mercado regulado para o mercado livre de energia é superior a R$ 1.000, segundo a consultoria. No entanto, o valor deverá cair para apenas R$ 100, como resultado de um esforço de digitalização.

O cálculo é baseado no número de potenciais consumidores que podem migrar do mercado regulado para o mercado livre. No Brasil, são cerca de 87 milhões de consumidores. No entanto, Alexandre Viana, sócio e head de consultoria da Thymos, acredita que cerca de 63 milhões vão mudar para o mercado livre.

“O custo de captação de clientes multiplicado pelo número de consumidores que podem migrar para o mercado livre equivale a R$ 6,3 bilhões em investimentos em 10 anos, excluindo outros aportes que podem vir da geração e serviços”, disse.

O levantamento da consultoria traça um cenário conservador, básico e agressivo para o consumo de energia elétrica e projeta que o mercado livre de energia responderá por quase 73% da carga total do Sistema Interligado Nacional (SIN) em 2035, ante 35,4% agora.

Esse cenário leva em consideração que a partir de 2024 o mercado livre será aberto integralmente para todos os consumidores de alta tensão, conforme proposta do Ministério de Minas e Energia (MME), e QUE em 2026 a abertura segue para os consumidores de baixa tensão.

“Em 2035, essa curva vai parar de crescer porque a baixa renda, os serviços públicos e os [clientes] rurais terão mais dificuldade de migrar e permanecerão no mercado regulado”, disse Viana.

Projetos de lei no Congresso sobre a modernização do setor elétrico e regulamentações podem acelerar a migração de consumidores, acrescentou o executivo.

Quanto aos negócios, algumas comercializadoras de energia não querem mais apenas comprar e vender energia e estão expandindo suas operações oferecendo serviços a consumidores e empresas de geração.

Este é o caso de 2W. De olho na liberalização do mercado, a empresa está aumentando a oferta de energia renovável para comercialização no mercado livre com a construção de dois parques eólicos, e reservou recursos para a aquisição de novos clientes.

“Vemos um mercado mais liberal na segunda metade desta década. Para isso, é fundamental ter ativos de geração para não ficarmos no meio da cadeia tendo que comprar energia de uma geradora para vender para o cliente…Temos R$150 milhões de custo de aquisição do cliente para poder explorar mercado e vender eletricidade dessas fazendas”, disse o CEO Claudio Ribeiro.

Tradener segue um caminho semelhante. A empresa comercializa cerca de 800 megawatts médios e atende entre 20% e 30% de sua carteira de clientes com geração própria. O CEO Walfrido Avila disse que o investimento depende de melhores condições de mercado.

“Temos 400 MW de projetos, mas faremos isso em sintonia com a economia. As taxas de juros estão muito altas agora. Isso é ruim para o financiamento e atrapalha os investimentos”, disse.

Para Alexandre Lopes, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas Comercializadoras de Energia Elétrica (Abraceel), essa é uma tendência, pois o setor há mais de 20 anos impulsiona a competitividade das empresas e a expansão do sistema elétrico.

“O mercado livre tornou-se o carro-chefe da expansão da geração de energia elétrica no Brasil, responsável por mais de 70% das usinas em construção, principalmente de origem renovável, alinhada à política pública nacional e à transição energética global.”

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