Economia

Mercado de trabalho cresce em 2021, mas com dezembro fraco

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Em 2021, o mercado de trabalho brasileiro teve a maior criação de empregos formais em dez anos, mas menos novas vagas do que o esperado em dezembro, indicando uma desaceleração maior do que o esperado – e sinalizando desafios à frente.

O fechamento de 265.811 empregos formais foi registrado em dezembro, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Trabalho e Previdência. Os números estão abaixo das expectativas do mercado. De acordo com a mediana das projeções coletadas pelo Valor Data em 18 consultorias e instituições financeiras, era esperado o fechamento de 167,5 mil vagas.

Com os números de dezembro, o total de empregos em 2021 foi positivo em 2.730.597 novas vagas. Segundo o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, o número de empregos criados em 2021 foi o maior em dez anos. Em 2020, o Caged passou por mudanças metodológicas, e especialistas apontam que não é adequado comparar os dados atuais com a série histórica anterior, que vai até 2019.

Foi um resultado “extremamente positivo”, disse Lorenzoni. “As políticas adotadas pelo governo Bolsonaro deram condições para que o Brasil, melhor que seus vizinhos latino-americanos e países de economia mais sólida, tenha uma resposta tão positiva na geração de empregos”, disse ele, destacando o papel do auxílio emergencial. , o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e Renda (BEm), o Programa de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Pronampe).

Para Bruno Ottoni, da consultoria IDados, o saldo de contratações abaixo do esperado indica um mercado de trabalho mais fraco do que o esperado. “O fato de ser uma surpresa negativa é uma má notícia porque sinaliza que o mercado de trabalho está mais fraco do que o esperado pelos analistas, que estavam pessimistas no final do ano”, diz.

Este ano, a geração de empregos formais terá forte desaceleração em relação a 2021, diz Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV)

“É natural em um ano como este ver números altos devido à recuperação da atividade, emprego, receita etc. Mas em 2022 teremos os números sendo ‘normalizados’”, diz Duque.

Ele argumenta que há uma tendência de desaceleração do mercado de trabalho, principalmente no que diz respeito à geração de empregos formais, que está mais relacionada à atividade econômica. “A tendência daqui para frente é de desaceleração, o que é natural tendo em vista que a economia desacelerou muito no segundo semestre. Normalmente, leva alguns meses para ver os efeitos das flutuações na atividade econômica sobre o emprego”, diz ele.

Como resultado, espera-se que o setor informal impulsione a ocupação nos próximos meses. “O setor que preenche a lacuna deixada pela pandemia é o setor de serviços, que concentra muita informalidade. Como o setor de serviços ainda está um pouco distante do nível pré-pandemia, ainda veremos maior geração de empregos informais do que formais”, diz Duque. “Mas isso tem uma data final, quando o mercado de trabalho atinge o mesmo patamar pré-pandemia. Ainda há cerca de 1 milhão de empregos a menos do que havia antes da pandemia”.

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