Offshore

Marinha do Brasil pode contratar estaleiro estrangeiro para construir embarcações

A Marinha brasileira está realizando estudos e contatos com o objetivo de preparar o procedimento legal que lhe permitirá selecionar um estaleiro estrangeiro para a construção das quatro corvetas classe Tamandaré (CV03) – também conhecida como “Barroso modificada” – nas instalações do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ).

Entre as empresas que serão consultadas acerca de seu interesse no projeto estão a BAE Systems, da Inglaterra; a Navantia, da Espanha; a DCNS, da França; o Fincantieri da Itália e a DSME (Daewoo Shipbuiding & Marine Engineering) da Coreia do Sul.

Em abril do ano passado, durante a última edição da feira de armamentos LAAD, no Rio de Janeiro, a Emgepron (Empresa Gerencial de Projetos Navais) apresentou em seu estande um modelo da corveta classe Tamandaré.
Segundo essas informações, o novo projeto foi desenvolvido pelo Centro de Projetos de Navios (CPN) da Marinha, valorizando o stealth concept – “conceito da discrição” (ou furtividade).

Os planos aprovados para a embarcação preveem um navio de 103,4m de comprimento, 12,8m de bôca máxima, 4,21m de calado, e deslocamento de 2.715 toneladas. A propulsão tipo CODAD, com quatro motores a diesel, permitiria a velocidade máxima de 25 nós. A tripulação terá até 136 militares.

Makassar

Dotado de convoo e hangar para helicópteros de porte médio, o barco foi idealizado para ser uma plataforma de emprego geral contra ameaças aéreas, de superfície e submarinas. Ele terá um sistema de controle tático de fabricação nacional e poderá ser configurado com vários sistemas de armas.

Cada unidade da nova série de corvetas brasileiras está orçada em 450 milhões de dólares, mas a Marinha também precisará investir na capacitação tecnológica do Arsenal para realizar o serviço, possivelmente recebendo equipamentos da empresa vencedora do processo licitatório.Isso aconteceu, recentemente, em Callao, no Peru.

O estaleiro estatal Servicios Industriales de la Marina (SIMA Peru) recebeu equipamentos e planos da DSME, para produzir o Paita, seu primeiro navio de assalto anfíbio da classe Makassar.

Classe Macaé

Ainda no campo da construção naval, a coluna INSIDER pôde apurar que, diferentemente do caso das corvetas, os chefes navais não pretendem usar o AMRJ para terminar os três navios-patrulha costeiros classe Macaé iniciados pelo estaleiro EISA Ilha – que fechou as portas no fim do ano passado, no Rio de Janeiro.

Em uma entrevista exclusiva concedida a esta coluna na primeira semana de fevereiro, o ex-gerente de produção do EISA, engenheiro Edson Odilon Moura Pinto, opinou que o término das embarcações no Arsenal talvez fosse a alternativa mais viável e rápida para o aprontamento das embarcações. Mas a Marinha prefere tentar outro caminho.
A ideia é contatar estaleiros nacionais aptos, em tese, a realizar o serviço.

É certo que haverá (se já não houve) um contato com a direção do estaleiro INACE, de Fortaleza, responsável pela construção das duas primeiras unidades dessa classe: o Macaé e o Macau.

A preocupação em não exigir do Arsenal uma capacitação técnica de que ele não dispõe hoje, e de dotá-lo dos recursos técnicos necessários a um programa militar importante – como o da construção das corvetas tipo Tamandaré – ilustra o convencimento dos almirantes brasileiros acerca do atual despreparo dessa organização militar para a moderna construção naval.

São Paulo

Entretanto, há um outro relevante motivo para não assoberbar o AMRJ com encomendas: a firme disposição do Comandante da Marinha, almirante Eduardo Leal Ferreira, e do Almirantado de uma forma geral, de levar adiante a reforma do porta-aviões São Paulo (A-12).

A empresa francesa DCNS pediu cerca de 800 milhões de dólares para, entre outros serviços, trocar a propulsão do navio – substituindo as atuais máquinas a vapor por outras, a diesel.

A Marinha ainda não concordou com os valores pedidos pela DCNS, e, na verdade, sequer definiu a extensão da reforma que pretende fazer no navio-aeródromo brasileiro, mas almirantes próximos ao Comandante da Força informaram à coluna INSIDER: mesmo ciente de que o próximo ano ainda será de fortes restrições orçamentárias, a corporação tende a autorizar o início do serviço em 2017.

De acordo com esse planejamento, o trabalho no São Paulo estaria concluído no fim de 2020 ou no primeiro semestre do ano seguinte, o que permitiria ao navio iniciar os testes de seus equipamentos no porto e as provas de mar ainda em 2021.

Segundo essa previsão, o A-12 estaria pronto para voltar a operar na metade final de 2022.
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