Economia

Marfrig compra US$ 800 milhões de participação na BRF, tornando-se seu principal acionista

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A produtora brasileira de carne bovina Marfrig Global Foods SA disse na sexta-feira (21) que comprou quase um quarto das ações em circulação da BRF SA e visa diversificar suas participações em vez de influenciar a administração.

A Marfrig comprou 24% do capital da BRF, maior exportadora mundial de aves que também processa carne suína, gastando o que disse uma fonte familiarizada com o assunto em cerca de US $ 800 milhões. A transação ocorre quase dois anos após as negociações anteriores fracassadas de fusão entre as duas empresas.

Mas a Marfrig disse que seria apenas um investidor passivo, sem representação no conselho da BRF, e aproveitou a participação para diversificar seus investimentos “em um segmento que complementa o setor em que atua”.

As carteiras das duas empresas poderiam ser complementares, se alguma vez combinadas sob o mesmo teto corporativo, dado o foco da Marfrig em carne bovina e da BRF em aves e suínos.

A capacidade da Marfrig de comprar uma fatia significativa de seu maior concorrente ressalta a força de sua divisão na América do Norte, onde a demanda do consumidor tem sido forte e os preços do gado relativamente baixos. Isso aumentou o preço de suas ações em relação à BRF, cujas margens foram comprimidas por sua maior dependência do Brasil.

Ambas as empresas competem com a maior JBS SA, que possui uma base de produção diversificada e vendas de alimentos processados ​​e três tipos de proteínas. Enquanto a BRF tem a maior parte de suas fábricas no Brasil, a Marfrig vende carne bovina aqui e na América do Norte, onde fica com a maior parte de sua receita.

Os frigoríficos brasileiros viram seus lucros aumentarem nos últimos anos, ajudados pelo fortalecimento da demanda da China, especialmente a partir de 2018, quando uma doença mortal dos suínos forçou o abate de milhões de animais, abrindo espaço para mais importações de empresas como BRF e Marfrig.

Mas eles também enfrentaram custos muito mais altos recentemente, à medida que os preços do gado dispararam e os custos dos grãos atingiram níveis recordes, ameaçando devorar as margens de lucro.

As empresas haviam discutido uma possível aquisição da BRF pela Marfrig, mas encerraram as negociações em julho de 2019.

As ações da BRF aceleraram sua alta com o noticiário, ganhando mais de 16% na tarde de sexta-feira em São Paulo. As ações da Marfrig caíram cerca de 3%.

JPMorgan Chase & Co assessorou a Marfrig no negócio, de acordo com uma fonte falando sob condição de anonimato.

A construção da participação da Marfrig na BRF foi noticiada pela primeira vez pelo jornal Valor Econômico.

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