Política

Lula propõe refazer o acordo Mercosul-UE após as eleições no Brasil

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O ex  presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta  feira a reformulação do acordo comercial de 2019 entre o Mercosul e a União Europeia (UE) após as eleições de 2022, após criticar um pacto fechado “às pressas”.

“A conclusão dele foi errada, precipitada. Depois de 2022, depois dos processos eleitorais em vários países, temos que nos reunir novamente em torno de uma mesa sem preconceitos , com a ideia de fazer um acordo que pode ser bom”, acrescentou.

Lula, favorito nas pesquisas se disputar as eleições presidenciais do próximo ano no Brasil, reiterou que a UE deve “entender” que os países do Mercosul devem ter condições de exportar produtos manufaturados de maior valor agregado.

O ex-chefe de Estado de esquerda entre 2003 e 2011, em viagem pelos países europeus, também considerou “perigoso” para o “Mercosul aceitar que a Europa participe” das compras públicas dos países do bloco sul-americano.

O chefe do Partido dos Trabalhadores (PT) fez essas declarações em entrevista coletiva após receber em Paris o “Prêmio pela Coragem Política” 2021 concedido pela revista especializada ‘Politique Internationale’.

A revista destacou a “tenacidade exemplar” diante da “perseguição política e judicial” de Lula, que “personifica” a “esperança” dos brasileiros “decepcionados” com o atual presidente, o ultraconservador Jair Bolsonaro.

Esta revista, fundada em 1978, já concedeu o Prêmio de Coragem Política ao Papa João Paulo II, ao ex-presidente egípcio Anwar al Sadat e ao ex-chefe de estado sul-africano Frederik De Klerk, que contribuíram para o fim do apartheid.

Suas declarações vêm antes de um encontro com o presidente francês Emmanuel Macron , que também é muito crítico em relação ao atual pacto entre a UE e o Mercosul, que considera incompatível com a “agenda climática”.

Negociado há 20 anos, o acordo comercial entre os dois blocos enfrenta críticas dos setores agrícolas da Europa, que se consideram prejudicados em benefício das indústrias da UE que poderão exportar seus produtos para o Mercosul.

No entanto, embora um acordo de princípio tenha sido alcançado entre os negociadores, sua aprovação não foi concluída, pois enfrenta a relutância de países como a França, que também realiza eleições presidenciais em 2022.

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