Energia

Leilão de transmissão de energia elétrica do Brasil abre caminho para recuperação econômica

Discuta as metas para o próximo Leilão de Transmissão de Energia Elétrica e os problemas que ele visa solucionar.

O próximo Leilão de Transmissão de Energia Elétrica será realizado no dia 17 de dezembro de 2020 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) na B3 S / A – Brasil, com sede em São Paulo.

São 11 lotes de empreendimentos, abrangendo 1.940 km de linhas de transmissão e subestações com capacidade de transformação de 6.420 MVA. As instalações de transmissão que serão leiloadas envolvem investimentos da ordem de R $ 7,4 bilhões, com potencial de geração de 15.434 mil empregos durante a construção dos empreendimentos.

O prazo de operação comercial das instalações varia de 42 a 60 meses, para concessões de 30 anos válidos a partir da data de assinatura dos contratos. Serão licitadas concessões para construção, operação e manutenção de 16 linhas de transmissão e 12 subestações.

A principal rede de transmissão do Brasil, o Sistema Interligado Nacional (Sistema Interligado Nacional – ou SIN), consiste em quatro subsistemas interligados (Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste e Sul). Juntos, eles formam um dos maiores subsistemas interconectados do mundo. A rede brasileira tem interconexões com o vizinho Paraguai (por meio do projeto Itaipu Binacional), bem como com Uruguai, Argentina e Venezuela.

A operadora do sistema (ONS) espera que a rede de transmissão brasileira cresça amplamente até 2024. Mais especificamente, o ONS prevê uma extensão da rede para as regiões menos conectadas do Brasil, bem como trabalhar para fazer melhorias adicionais na rede existente em outras partes do país. O próximo Leilão de Transmissão de Energia Elétrica, em dezembro de 2020, visa auxiliar no cumprimento dessas metas.

Como a região cria e mantém um ambiente competitivo para iniciativas no setor de energia e investimento estrangeiro?

O setor elétrico brasileiro – em geração, transmissão e distribuição – é hoje um dos maiores destinos de investimento estrangeiro direto do mundo. O crescente interesse de investidores estrangeiros é impulsionado por fortes oportunidades de negócios, com participantes privados tendo a chance de competir em todos os segmentos do setor, aliada ao fortalecimento do marco regulatório brasileiro.

Que grandes empresas já estão se beneficiando das oportunidades de investimento / setor de energia nesta região? 

Empresas de todo o mundo estão se beneficiando das oportunidades de investimento no setor de energia do Brasil, incluindo, mas não se limitando a Iberdrola, Enel, EDP, Engie, EDF, EDP, Statkraft, Equinor, State Grid, China Three Gorges, CGN, Brookfield, Suncor , Canadian Solar e muito mais.

Discuta como você identifica e lidera oportunidades de desenvolvimento de negócios multissetoriais ? 

A Apex-Brasil possui uma extensa rede internacional de organizações, associações e empresas parceiras. Temos escritórios nos Estados Unidos (Miami e San Francisco), Europa (Bruxelas), Israel (Jerusalém), Rússia (Moscou), China (Xangai e Pequim), Emirados Árabes Unidos (Dubai) e Colômbia (Bogotá). Além disso, como trabalhamos em estreita parceria com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, temos acesso a mais de 100 embaixadas em todo o mundo. Por fim, contamos com uma unidade de inteligência de mercado que apóia nossos esforços com informações relevantes sobre a economia internacional, os negócios e os principais players.

Esse alcance e inteligência globais nos permitem mapear e prospectar os investidores certos, além de apresentar empresas brasileiras a investidores estrangeiros em viagens internacionais de negócios.

Como a força de trabalho é preparada para os novos investidores? E para os atuais investidores?

O Brasil é um país populoso com uma força de trabalho de mais de 100 milhões de pessoas. Os setores que costumam reunir o maior número de trabalhadores brasileiros, segundo o relatório de estatísticas do IBGE (PNAD), são varejo e oficinas mecânicas, administração pública, defesa, educação, saúde, serviços sociais, serviços de informação e comunicação, atividades financeiras, imobiliárias e administração.

Em 2017, o Congresso Nacional aprovou uma reforma na legislação trabalhista do país, conhecida como Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O principal objetivo dessa reforma foi flexibilizar as leis, com foco específico nas negociações entre empregadores e empregados.

Como resultado, novas regras surgiram, permitindo a terceirização da mão de obra na atividade principal da empresa, a regulamentação do home office e mais responsabilização dos empregados em ações judiciais contra empregadores. Dito isso, acordos coletivos de trabalho entre empregadores e sindicatos podem compensar alguns pontos da lei, adequando os termos às necessidades dos trabalhadores. Alguns desses temas incluem jornada de trabalho, participação nos lucros e padrões sanitários (que antes eram estabelecidos apenas pelo empregador).

No entanto, isso não significa que os trabalhadores fiquem desprotegidos, pois seus direitos fundamentais não podem ser negociados no âmbito da CLT. Esses direitos incluem licença-maternidade e paternidade, férias, salário mínimo, 13º salário, aposentadoria e o Fundo de Garantia de Continuidade do Serviço (FGTS), espécie de caderneta de poupança retirada diretamente do salário dos trabalhadores que visa proteger a subsistência do trabalhador no caso de demissão, mas também pode ser usado para comprar imóveis residenciais.

Além disso, o Brasil possui universidades e engenheiros de primeira linha com experiência em tecnologias onshore e offshore, bem como em empreendimentos EPC.

O Brasil possui um mercado de trabalho qualificado e diversificado, bem como condições de trabalho favoráveis ​​aos investidores.

Vamos discutir como a região administrou o clima do setor de energia durante a pandemia e outras interrupções. O que as empresas devem saber e como você está lidando com isso?

O Brasil está tomando medidas concretas para combater a pandemia Covid-19 e ainda se manter competitivo globalmente . Entre outras medidas, o governo brasileiro lançou um pacote para proteger os trabalhadores, especialmente as pessoas mais vulneráveis, e as PME.

No que diz respeito ao setor de energia especificamente, várias iniciativas foram introduzidas desde o início da pandemia. Isso inclui, mas não está limitado às seguintes medidas:

Primeiro, um Comitê de Crise e Monitoramento, composto pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e outras autoridades e especialistas, foi estabelecido para mapear e agir rapidamente sobre os desafios que a pandemia impôs.

Em segundo lugar, o MME e a ANEEL, juntamente com bancos, desenharam e implementaram a “conta COVID”, que oferece empréstimos de um total de US $ 16,1 bilhões para empresas de energia, com o objetivo de fornecer liquidez ao setor, especialmente no segmento-chave da distribuição.

Por fim, o MME lançou o programa de títulos verdes, favorável à obtenção de financiamento para novos projetos de energia, com liberação gradual estimada de US $ 250 até 2030. Prevê-se que este programa específico contribuirá para a expansão de 25 GW para nova energia eólica, 8 GW para energia solar e energia e 3 GW para pequenas centrais hidrelétricas.

Compartilhe mais alguma coisa que você gostaria que os leitores soubessem sobre o clima de investimento no Brasil.

O Brasil possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 80% de nossa eletricidade proveniente de fontes renováveis. Atualmente, a energia hídrica representa 58% do mix de geração de energia brasileira, enquanto a biomassa, a eólica e a solar têm participação de 11%, 9% e 2%, respectivamente. Em 2029, espera-se que essas fontes representem 42%, 10%, 16% e 8%, respectivamente, de nosso mix de geração de energia. Com essa previsão em mente, fica claro que as energias eólica e solar aumentam rápida e constantemente, ressaltando sua importância agora e no futuro. Dito isso, esse crescimento não é uma surpresa: solar e eólica são áreas muito competitivas e o Brasil oferece diferenciais únicos para os investidores considerarem.

Por exemplo, o Brasil possui um dos maiores fatores de capacidade de energia eólica do mundo, com média acima de 40%. O Brasil também tem a maior taxa de crescimento de energia eólica na América Latina nos últimos 10 anos. Além disso, nossa irradiação solar é maior do que a de outros países, como Espanha, França e Alemanha. Além disso, o segmento de geração de energia tem oportunidades em leilões, mercado livre (modelo de contratos de compra corporativa de energia) e mercado distribuído (ou seja, tipo de modelo de net metering) – todos esses são motores importantes para o crescimento dessas duas fontes.

Para concluir, o setor de energia do Brasil possui uma estrutura regulatória bem-sucedida, primordial para o investimento estrangeiro direto. Além disso, todos os segmentos de energia no Brasil (geração, transmissão e distribuição) estão abertos a investidores privados. Por fim, o Brasil possui um sólido histórico de sucesso e crescimento neste setor, razão pela qual o setor de energia atraiu tantos investimentos estrangeiros em 2019, e também por que esperamos que esse crescimento continue nos próximos anos.

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