Notícias

Jair Bolsonaro promete a Joe Biden acabar com desmatamento e busca ajuda financeira

O presidente Jair Bolsonaro escreveu uma carta ao seu homólogo dos EUA  Joe Biden  prometendo acabar com o desmatamento ilegal no Brasil até 2030 e buscando ajuda financeira “considerável” para chegar lá, disseram autoridades nesta quinta-feira.

A carta vem uma semana antes de Biden sediar uma cúpula virtual do clima com 40 líderes mundiais, incluindo Bolsonaro – um cético de extrema-direita sobre as mudanças climáticas com quem ele já havia entrado em conflito com a questão do desmatamento na Amazônia brasileira.

“Em uma medida inequívoca de apoio aos seus esforços, queremos reafirmar nosso compromisso de eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030”, diz a carta de sete páginas de Bolsonaro, datada de quarta-feira.

“No entanto, alcançar esse objetivo exigirá recursos consideráveis”, incluindo da “comunidade internacional, governos e setor privado”, disse.

“O Brasil merece ser bastante compensado pelos serviços ambientais que seus cidadãos prestam ao planeta.”
Os governos Bolsonaro e Biden têm mantido conversas sobre um plano no qual o Brasil receberia financiamento internacional para proteger melhor a Amazônia, um recurso crucial no combate às mudanças climáticas.

Isso levou o Observatório do Clima, coalizão de 198 grupos ambientais brasileiros, a alertar este mês contra acordos a portas fechadas com Bolsonaro, a quem chamou de “pior inimigo” da maior floresta tropical do mundo.

A carta de quarta-feira marca uma mudança de tom para Bolsonaro, que entrou em conflito com Biden sobre o desmatamento durante a campanha presidencial deste último.

Durante o primeiro debate de Biden com o ex-presidente Donald Trump em setembro passado, o candidato democrata traçou um plano para oferecer ao Brasil US$ 20 bilhões em financiamento internacional para “parar de derrubar a floresta”.

“E se você não fizer isso, então você vai ter consequências econômicas significativas”, disse ele.

Bolsonaro rebateu no dia seguinte que o Brasil não aceitaria “ameaças covardes”, chamando as observações de Biden de “desastrosas e desnecessárias”.

Bolsonaro, um ardente fã de Trump, estava entre os últimos líderes mundiais a parabenizar Biden quando ele ganhou. Mas ele disse em sua carta que esperava contar com o “apoio pessoal” de Biden para acabar com o desmatamento.

Um alto funcionário da Casa Branca disse que o governo “saudou” o compromisso de Bolsonaro com o desmatamento e que o Brasil “tem a responsabilidade de liderar” as questões climáticas.

O Brasil prometeu acabar com o desmatamento ilegal até 2030 no acordo climático de Paris em 2015, mas a vitória eleitoral de Bolsonaro três anos depois colocou em dúvida o plano.

O líder de extrema-direita cortou o financiamento de programas de proteção ambiental no Brasil e pressionou para abrir terras protegidas à mineração e ao agronegócio.

Nos 12 meses até agosto de 2020, o desmatamento na Amazônia brasileira aumentou 9,5%, destruindo uma área maior que a Jamaica, segundo dados do governo.

Voltar ao Topo